Fala que eu discuto
Leia devagar, leia divagando
O Ser tão vai vir amar
A direita está sem discurso, Serra não tem projeto. PSDB e DEM já começam a se estranhar, não que o DEM tenha um candidato próprio, mas não acredita na viabilidade de Serra, e pede Aécio. Aécio, exausto, daqui a pouco pede a toalha.
Mas vamos às metáforas. No meio da semana, a Folha chama Lula às falas, conversa daqui, cutuca dali, solta um Serra. Lula diz que ninguém se interessa pelo que diz esse senhor. Mas a Folha mostra que ela se interessa e tasca uma outra colocação de Serra, como se fosse um pergunta enviada em um papelzinho e que o repórter tinha que enfiá-la na entrevista.
Kennedy Alencar suou e já ia desistir, mas eis que veio uma metáfora: Jesus e Judas. Ah!, agora sim, pegamos ele. Dia seguinte, nada se soube sobre o teor da entrevista, só se falava em Jesus e Judas. Arthur Virgílio (o que surraria Lula e foi surrado nas eleições) disse que Lula mimetizava o próprio Cristo e que isso era uma blasfêmia.
O ateu FHC também levou a metáfora no sentido literal e sentenciou: “Não foi isso que a gente aprendeu na escola, nas aulas de religião.” Hahaha. Roberto Freire, outro ateu, disse que Lula da Silva chegou ao “cúmulo de justificar suas alianças escusas colocando Jesus e Judas em conluio”. Alianças escusas, diz o ex-comunista, Judas e Jesus, diz o ex-comunista. Freire também deve ter aprendido sobre Judas e Jesus na mesma escola de FHC, a escola dos caras-de-pau.
A CNBB foi chamada e deveria dizer “Ora deixem disso, Lula não falava no Cristo histórico e nem no Cristo bíblico, usou uma metáfora somente”. Uma vez que metáfora, como todos nós sabemos, é um recurso de estilo onde se usa uma expressão dando a ela um outro sentido, um sentido figurado. Mas FHC e Freire leram a Bíblia na escola, e a CNBB não foi à escola nas aulas de português sobre metáforas e metonímias. Parece que todos estavam entorpecidos por um certo tipo de Ácido Crístico.
O que deixou todos meio loucos não foi Cristo e nem foi o pérfido Iscariotes, foi a figura de Antônio Conselheiro que Lula parecia luzir dentro daquele curso de concreto, com um céu azul por cima e uma imensidão em sua volta (o Ser Tão vai vir amar). Os homens de pouca fé sentiram-se apequenados. Serra se viu imerso na lama fétida do rio que lhe emporcalha a cidade. Aécio lembrou-se dos dejetos que joga no Velho Chico. Marina se viu com uma enorme cabeça de bagre, adornada com uma grinalda de pererecas. E Cristovam, vislumbrando o curso sinuoso do novo rio, percebeu que Deus escreve certo por linhas tortas.
Mais uma vez chamaram Marina Silva pra falar mal do Lula, até quando essa senhora vai fazer esse papel ridículo? A mídia a cozinha em Banho-Marina, sempre que podem sacam-na da algibeira, ou é ela ou é o Gilmar Mendes.
Para a grande mídia Lula é o Fariseu, Ciro o Judas, Marina Silva uma Madalena verde, e Serra... bom Serra é aquele que Marina Silva não ataca, porque está obsecada por Lula da Silva. Como se Serra fosse um cara verde, que faz xixi no banho, que tem um gramado no teto de casa, leva sacola de algodão cru ao supermercado e guarda em um pote de vidro o óleo das frituras.
Marina Silva ignora que Minas Gerais despeja, há anos, toneladas de dejetos no Velho Chico, porque está obsecada por Lula da Silva, porque mimetiza a Heloísa Helena e o Cristovam Buarque de outrora; joguete. Serra poderia falar do rio fétido que corre reto em Sampa, aprisionado. Serra poderia falar da poluição e dos dejetos que jorram para a cidade durante as chuvas. Mas sabe como é, Serra agora é verde; verde-musgo.
No final das contas nada ficamos sabendo sobre Judas e ninguém analisou as outras respostas de Lula. A entrevista está disponível.
Mas, para quem não sabe, Judas Iscariotes foi o primeiro malandro beneficiado pelo recurso da delação premiada, entregou o chefe, foi absolvido e ainda levou um saco de moedas.
Lelê Teles, Brasília
esse texto no observatório da imprensa: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=561FDS006
esse texto no amálgama: http://www.amalgama.blog.br/10/2009/pegaram-judas-pra-cristo/#comments
Fiquei tomado por aquelas imagens, embora já as tivesse visto várias vezes. Eu pensava, poxa, o cara ficou 20 anos em uma cadeira de rodas e ao se levantar já caminhava sem dificuldades, como se as articulações estivessem intactas e tal… E no meio do pensamento me veio uma outra curiosidade: por que será que Deus não cura amputados? Cristo, eu me lembrava, curou cegos, entrevados, coxos.. mas não há um único registro em que Djízus restitui um membro a um amputado; não precisava ser uma perna inteira, ou um braço, podia ser apenas uma mão, um dedo mindinho que fosse. Enquanto eu divagava, minha esposa trocou de canal, ao perceber que eu olhava a TV mas não via. Aí ela me sacode e diz, amor, vão falar dos revoltosos de São Paulo.
Entra a matéria: “Em nove meses, nove manifestações violentas aconteceram em favelas de São Paulo. Em todos os casos, carros e ônibus foram incendiados. Ruas e avenidas ficaram interditadas. A polícia vê ligação entre estes protestos”. Era o Bom Dia Brasil. Claro que a polícia do Serra não ia ser colocada em xeque. O enólogo Machado segue um lógico raciocínio: “Além dos atos de vandalismo, as áreas têm em comum as ações que deram origem aos protestos. Na semana passada, no Jaçanã, foi a morte de um rapaz que, segundo a polícia, resistiu à abordagem e atirou contra os policiais, o que provocou a fúria dos manifestantes. Em Heliópolis, foi a morte de uma estudante, durante uma perseguição da Guarda Civil de São Caetano do Sul a ladrões de carros…” Mas aí, filisteu, Renato Machado arremata: “Foram dois dias de protesto. O mais violento foi convocado por bilhetes que prometiam até uma cesta básica a quem participasse”.
Ah, os traficantes, sempre os traficantes. O diabo é que um bilhete vulgar – escrito a mão, ninguém sabe por quem, nem quando, nem por que – vira assunto em meio a uma onda de protestos e violência. Um capitão da PM é convocado a defender a corporação e diz: “Estão sendo feitas investigações para verificar a origem desse papel”. Ora, com os diabos, a origem desse papel, como de qualquer outro, é uma árvore. E o que tá escrito nele não tem a menor importância: alguém viu a distribuição das cestas básicas? Houve fila para recebê-las? Foram distribuídas antes dos protestos ou seriam distribuídas depois? Algum mercadinho da região vendeu centenas de cestas básicas nestes dias? Nada de nada, aquele papel ordinário era somente para encobrir o papelão da polícia do Serra — aliás, da polícia do PSDB; no Sul, como se sabe, sem-terras também foram alvejados covardemente pela polícia tucana. Mas a Globo tinha que arrumar um argumento para desqualificar os revoltados, desconsiderar seu juízo crítico, apontá-los como vagabundos esfomeados, vândalos.
Mas há uma questão semântica aqui, e é muito interessante. Chamam os revoltosos de vândalos querendo dizer que são pessoas que cometem violência gratuitamente, ou porque recebem um prato de comida por isso, ou porque são ameaçados por traficantes e coagidos a arriscarem a vida se expondo de peito aberto e pedras na mão contra uma polícia sabidamente assassina. Os Vândalos, como sabemos, foram os povos bárbaros que provocaram a queda do Império Romano.
Lina Vieira por exemplo saiu assim no Noblat.uma mulher que usa uma cora no pescoço vc acha que ficou como?
Não há motivos para espanto. A folha de coca não é uma droga, é um suplemento nutritivo. E tem, há séculos, uso medicinal e terapêutico, além de servir para fazer chá, bolachas, xampus etc. O químico italiano Ângelo Mariani fez a infusão alcoólica de folhas de coca, em 1863, criando o vinho Mariani, muito apreciado pelo Papa Leão XIII. O Foro Internacional de La Hoja de Coca, realizado em 2006 na Facultad de Ciencias Económicas de Buenos Aires, solicita que a ONU retire a folha de Coca da categoria de veneno ou estupefaciente. O Foro reuniu empresários, cientistas, técnicos, indígenas, políticos e membros da sociedade civil da Argentina, Peru, Equador e Bolívia.
A cocaína é uma droga química. E só é fabricada na Colômbia, Bolívia e Peru porque as autoridades permitem o livre comércio dos agentes químicos necessários à sua produção. Ou seja, além dos paraísos fiscais, a indústria química também lucra muito com a produção de cocaína. Entre 700 e 1.000 toneladas de cocaína são produzidas por ano somente na Colômbia. Esses produtos químicos, como se pode deduzir, não são comprados litro por litro em uma farmácia de esquina – são centenas de toneladas!
portinari, criança morta
o que se ensina nas faculdades de jornalismo por aí? Quem quer saber!
Em pesquisa superficial sobre o assunto, grande parte da população considerou que o diploma de jornalismo é fundamental para uma boa notícia, desconhecendo que somente uns poucos países, distantes do primeiro mundo, o exigem. Fato este sonegado, convenientemente, durante a pesquisa e não disponibilizado ao entrevistado.
"De fato, hoje, a formação superior em jornalismo não é condição necessária para se exercer a profissão em países como Alemanha, Austrália, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Irlanda, Itália, Japão e Suíça. O diploma é exigido apenas na África do Sul, Arábia Saudita, Colômbia, Congo, Costa do Marfim, Croácia, Equador, Honduras, Indonésia, Síria, Tunísia, Turquia e Ucrânia" [ver aqui].
fonte: Observatório da Imprensa.
Ato I: Metáfora, como todos sabem, é uma figura de linguagem que se caracteriza pelo uso de uma palavra, ou expressão, fora do seu sentido literal, dando-lhe uma dualidade de sentido. Cristo pregava por metáforas. E a metáfora, como todos sabem, é uma figura que figura na hábil linguagem política de Lula da Silva. Pois bem, alguns setores da mídia, com claro viés ideológico, resolveram induzir os seus leitores a interpretarem uma metáfora de Lula em seu sentido literal. Ao falar, ao lado de Gordon Brown, que a crise tinha sido criada por "gente branca e de olhos azuis", é claro que Mr. da Silva usava uma metáfora. No entanto, os jornalões ventilaram e estimularam a interpretação de que Lula usara uma frase racista. Teve até repórter criativo que falou dos olhos não-azuis de Brown. Noblat postou uma carta de intenção, ou sei lá como se chama aquilo, de um leitor que se dizia loiro de olhos verdes e que iria entrar com uma representação para processar Mr. da Silva. Claro que somente no Blog do Noblat (por seu caráter idiossincrático) uma bobagem dessas teria repercussão. Lembre-se que Cláudio Lembo já usou uma expressão parecida e não foi acusado de racista.
Mas Lula teve uma segunda chance. Uma jornalista estrangeira pergunta sobre a frase e Lula olha no fundo dos olhos da moça e diz algo mais ou menos assim: Estou olhando agora para os seus olhos azuis, você não tem cara de banqueira, tem mais cara de vítima dos banqueiros. E todos gargalharam. Menos o Noblat e a Míriam Leitão.
Ato III: Reunião do G-20, os mais importantes líderes do mundo se reúnem, discute-se os novos rumos do capitalismo, querem civilizá-lo; escancarar os paraísos fiscais, reduzir os subsídios dos países ricos e dar mais abertura às economias dos países periféricos. Uma imagem é produzida, a Rainha ladeada por 20 mandatários mundiais. O mundo repete a imagem à exaustão, sempre preferindo o frame em que todos sorriem. A revistaveja faz uma capa e joga a foto da Rainha em um box lá no alto. A imagem é pequena e mal se percebe a cara alegre de nosso presidente. No entanto, na reportagem da revistaveja há um detalhe da foto. Mas escolheram justamente a imagem em que só quem não ri é o nosso presidente. No detalhe, a Rainha, Obama e Da Silva. Todos sorriem, mas Lula está com uma cara carrancuda, olhando para cima, como se tivesse deslocado. Por que essa imagem?
Lelê Teles, Brasília
lula, atirando o sapato em Dom José
Sísifo
Pelas barbas de Bin Laden, eu vi o homem.
Desde a minha adolescência sou apaixonado pela energia cinética deste retirante nordestino, alçado no novo século ao píncaro dos palácios.
Lembro bem de suas barbas hirsutas, de seu jeito desajeitado, sua cara suja e oleosa; seu semblante verdadeiro e puro, seu ar de anjo natural, de um ser fabricado com os tênues fios que afinam os instrumentos da orquestra que toca a sinfonia do universo.
Sei dele desde menino, quando fundei um grêmio estudantil na escola. Fiz, em serigrafia, milhares de bandeiras vermelhas com uma estrela branca no meio, em 1989, e distribui pelos comitês de Brasília, louco para elegê-lo.
O vi sofrer derrotas. O via como um vencedor que acabou de sofrer uma derrota e saiu ganhando, sempre. O via como um skatista, aprendendo com a queda: a cada tombo a certeza de que na próxima pegou a manha e não vai cair de novo; até acertar na veia.
Via o povo dentro das fábricas, homens em cima de caminhões de som, gritos, palavras de ordem, rebeliões. E os poderosos engravatados, perfumados pela chorume da insensibilidade social, obrigados a negociar com eles, aceitar algumas de suas exigências, dialogar.
Via isso na TV como se estivesse nos grandes teatros clássicos, vendo desfilar sobre mim a história da minha civilização e a construção do meu conceito de civilidade.
Na universidade, um dia vi o caminhão de som e os funcionários em protesto na reitoria. Era meu primeiro semestre. Os funcionários, os limpa-chão, os abre-portas, confabulavam, com os seus microfones em punho, usando palavras como exploração, patrão, data-base, greve, direitos, constituição, cidadania, corrupção, direita e esquerda, classe trabalhadora etc. Um léxico tão rico de significados, uma força tão pujante no espírito daqueles homens simples meu Deus.
E eu, na reitoria da universidade, vendo os funcionários de nível fundamental a parlamentar e pensando em Lula da Silva, o monoglota de Guaribas. O homem que colocou a palavra fome nas discussões internacionais.
Sei dele também de sonhos vivos. Banhava-se numa banheira de âmbar, embora a mídia o descrevesse sempre imerso em fétida lama. Banhava-se, sobretudo, num pré-sal que contém uma substância consistente e nutritiva chamada povo, que alergia a mídia.
Tinha um lapso de paixão pelos seus amigos intelectuais, gostava da gente técnica e cheia de conhecimento, mas era mesmo amante da sabedoria. E falava sempre de forma simples, como convém aos sábios e aos santos, e fazia sempre questão de ser compreendido.
Diferentemente dos grandes jornais do meu país. Manchetes de hoje, 10 de dezembro: 1- O Globo: Crise freia país no auge do seu crescimento econômico. 2- Folha: Antes da crise, economia cresce 6,8%. 3- Estadão: PIB surpreende e cresce 6,8%. 4- JB: País cresce, apesar da crise. Análise: 1- como crise freia se o país cresceu? 2- como antes da crise se os próprios jornais dizem que a crise começou no ano passado? 3- surpreende quem se o presidente disse várias vezes que o país não sentiria a crise como o resto do mundo? 4- mas se o país cresce onde está a crise, meu Deus!
Os líderes do mundo vêem suas economias minguarem e Lula triunfa, apesar do cenário internacional. Mas antes diziam que Lula só triunfava porque era bom o cenário internacional. Vai entender? O povo entende, tanto que em meio à crise internacional Lula da Silva, o monoglota de Guaribas, obteve 70% da aprovação popular, apesar da mídia!
Depois que FHC quebrou o país três vezes, Lula da Silva o converteu na oitava maior economia do mundo. A mídia o massacrou com crises artificiais e factóides, com o tempo a febre amarela não veio, e os laudos técnicos confirmaram que os dois acidentes aéreos nada tiveram a ver com o presidente. Era uma pegadinha de mau gosto da mídia.
Ontem eu via o jornal na TV, o mundo desabava, empresas com séculos de existência fechavam as portas nos Esteites; na Europa, demissões em massa. Queda de exportações e o fantasma do desemprego na China. Enquanto isso, o moça do jornal falava que no Brasil houve aumento de emprego, a inflação caiu, o PIB subiu acima de 6% (como não acontecia há décadas), as vendas cresceram etc. E ela falava tudo isso com uma inexplicável fleuma. Ela dava essa notícia para todos os brasileiros de forma triste, como se ela torcesse contra e fosse derrotada e agora tivesse que pagar o mico de dar essa notícia.
É claro que a matéria terminou com a entrevista de um "especialista" tucano que falou que o cenário para o futuro não é tão bonito; e a moça sorriu.
Lelê Teles, Brasília
esse texto no blog do Azenha:
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/lele-teles-em-defesa-de-lula/
no blog do ex-bancário:
http://exbancario.blogspot.com/2008/12/em-defesa-de-lula.html
no blog do zeducando:
http://joserosafilho.wordpress.com/2008/12/13/em-defesa-de-lula-ou-provocando-mais-uma-vez/
no blog do briguilino:
http://blogdobriguilino.blogspot.com/2008/12/pelas-barbas-de-bin-laden.html
no central blogs:
http://www.centralblogs.com.br/post.php?href=Lula+e+a+crise&KEYWORD=4725&POST=238154
derkeiler:
http://newsgroups.derkeiler.com/Archive/Soc/soc.culture.brazil/2008-12/msg00113.html
as duas faces de Dionísio
Ainda na legenda: Pierre Weill, Lelê Teles, Gilmar, Davi, Amarildo, The Who, Geovane, Tarsila, Marck Sacco, Pajman, Sergie, Dr. Fahad, 3 Estreleinhas, Jonisvaldo, Murilo, Andréia, Vanessa, Moranguinho, Gustavo...