Quarta-feira, Novembro 09, 2011

AINDA SOBRE A MORTE DO CINEGRAFISTA

BALA PERDIDA?
Chocados com a morte do cinegrafista da Band, Gelson Domingos da Silva, todos se esquecem de fazer as perguntas que devem ser feitas nesses momentos. De quem é a culpa?

Pelo que vimos o repórter cinematográfico usava um colete fuleiro e inadequado. Porque é destes coletes que protegem contra projéteis disparados por revólveres e pistolas. E todos nós sabemos que confrontos entre policiais e traficantes são feitos a média e longa distância com uso de armas mais poderosas, como fuzis.

Os profissionais da Globo, por exemplo, trajam coletes de uso "exclusivo" das forças armadas, que suportam tiros de fuzil.

O que diabo um repórter sem as condições adequadas de segurança estava fazendo na linha de frente de tiros? Quem o colocou lá, a troco de quê? E por que ele preferiu o ponto de vista do policial se podia se colocar em posição neutra e observar os dois lados?

E por que diabo essa criminalização das favelas? A imprensa não produz reportagens sobre o que acontece nas favelas, porque parece que a ninguém interessa. É como o nosso cinema, só vê a favela pela perspectiva da arma, do confronto, do crime, da morte, da polícia! É o mundo cão.

Os traficantes são a grande minoria dentro de uma favela. Por que têm tanta visibilidade? Tim Lopes morreu usando câmera escondida para, mais uma vez, mostrar os traficantes dentro da favela. Para quê?

Regina Casé não levou tiro quando fez inúmeras matérias dentro das favelas com moradores honestos e trabalhadores. Com desempregados honestos. Com gente honesta. Porque gente de bem não é só gente de bens!

MV Bill não morreu quando mostrou, de forma inequívoca, com Falcão, Meninos do Tráfico, uma minoria de jovens e crianças sem assistência social, sem escola, sem esgoto, sem comida, sem emprego, sem dentes, sem perspectivas de futuro, sem nada, arrastados para a vida "fácil" do crime.

Ele entrevistou os marginais, falou com eles, ouviu o lado deles. Isso deveria ser o trabalho de um repórter.

Mas a muitos ainda interessa o mundo cão. Que tipo de informação o repórter buscava se colocando na perspectiva do atirador, o que isso acrescentaria como informação? Pra quê colocar a câmera na ponta do cano da arma do policial e entrar com o projétil no corpo esquálido de um adolescente sem camisa e de chinelos numa esquina suja?

Gelson se colocou na frente de uma arma, não foi bala perdida, foi bala pedida!


Sábado, Novembro 05, 2011

onde há fumaça...




Onde há fumaça...

Até Setembro de 2010, 58 favelas haviam sido consumidas pelo fogo em São Paulo; mais de uma por semana. 58 em 9 meses!



Por que?



Você sabe, no Brasil inteiro as favelas são feitas com o mesmo material. Barracos de madeira há por todas as periferias do Brasil e em volta dos grandes centros urbanos. Mas o diabo é que parece que somente as de Sampa são inflamáveis!



Há muitas coincidências envolvendo estes incêndios: o socorro demora a chegar e os moradores são removidos e nunca mais retornam, inclusive os que não foram atingidos pelo fogo; em muitos casos a área inteira é desocupada.



Em alguns locais, os moradores já haviam sido notificados pela prefeitura para que deixassem o terreno, antes do incêndio. E na maioria, há prédios de apartamento na vizinhança e o terreno interessa à especulação imobiliária.



Pra se ter uma ideia, o último incêndio com remoção de moradores ocorrido no Rio de Janeiro foi em 1969. Em São Paulo, foram mais de 500 incêndiso com remoção de moradores em apenas dois anos.

Quando chove, a periferia alaga. Quando não chove, é consumida pelo fogo. Por que esse armagedon?

Soubemos a pouco que 46% da população adulta da Grande Sampa é formada por não-paulistas, ou "estrangeiros". Sabemos também que um número considerável deste contingente não vota em São Paulo.



Opa. Volto à pergunta anterior, por que será que só em São Paulo favela pega fogo com tanta intensidade? Por que o governo nada faz, a não ser remover os desabrigados? A quem interessa esse fogaréu?

Sexta-feira, Novembro 04, 2011

7 BILHÕES DE SERES HUMANOS





7 BILHÕES DE SERES HUMANOS, UNS MAIS HUMANOS QUE OS OUTROS

Como explicar as pessoas espantadas com o nascimento do bebê número 7 bi pelo número que ele representa?

O estarrecedor no nascimento de Danica May Camacho, nas Filipinas, é que ela já chegou ao mundo pobre e possivelmente vai passar fome.
...
Não foi ontem, com o nascimento do bebê famoso que logo será esquecido, como todos os bebês que nascem pobres, que descobriram que temos 7 bilhões de pessoas no mundo. Já era esperado.

Aí, os que se prendem à teoria do medo, passam a reverberar a antiga e batida teoria malthusiana: vai faltar alimento, vai faltar água, vai faltar espaço pra tanta gente, meu Deus.

Hoje há alimento suficiente para estes 7 bilhões, só que mais de um bilhão continua com fome. A comida que os estadunidenses jogam no lixo alimentaria uma África. A comida que é desperdiçada somente com a colheita, armazenamento e transporte no Brasil alimentaria todos os nossos patrícios miseráveis.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, a FAO, hoje se produz alimentos no mundo suficientes para 12 bilhões de pessoas. Quase tudo vai pro lixo!

O problema da alimentação, que mata seres humanos no Chifre da África e em grande parte do mundo, é de acesso e não de escassez.

A produção de alimentos triplicou desde os anos 60 e a população somente duplicou. É uma questão de aritimética. Não pode haver fome em um mundo de abundância!

Grande parte da população do mundo não tem acesso a água, não porque ela esteja em falta, mas porque falta vontade política de levá-la até onde estão os miseráveis.

A água que falta no mundo pobre é a mesma que farta nas grandes cidades, onde a juventude lava automóveis e calçadas com mangueiras.

O mundo nunca evoluiu tanto de forma tão veloz: tecnologicamente e cientificamente. Mas pessoas continuam morrendo de diarreia e de fome!

Pouco me importa se tem 7 bilhões de pessoas no mundo, importa-me que a pequena Danica é mais uma que nasceu pobre e mais uma com a qual ninguém vai se importar.

Os que estão preocupados com a quantidade de gente na terra e com a possível falta disso e daquilo, preocupam-se demais com o planeta e deixam de se preocupar com os seres humanos que nele vivem.

Tá na hora de distribuir os alimentos que produzimos e fazer justiça social. Blá, blá, blá malthusiano não enche a barriga de ninguém!

Quinta-feira, Outubro 20, 2011

OH OBAMA, DEVOLVE O NOBEL DA PAZ, MEU RAPAZ!



OH OBAMA, DEVOLVE O NOBEL DA PAZ, MEU RAPAZ!

Esse estado de júblio, essa alegria mórbida, essa felicidade necrófila por ver um cadáver covardemente assassinado, como o de Osama e, agora, o de Gaddafi é muito perigoso.

Julgamos Bin Laden, Saddam e Gaddafi por eles serem inescrupulosos e sanguinários. Não é repetindo-os que vamos mostrar que somos diferentes.

Osama, o Nobel da Paz, ao ver que o mundo sorriu com o assassinato covarde, e com a ocultação do cadáver, de Osama, mandou matar outro, e agora outro. E quando isso vai parar?

Um estado deve fazer justiça e não vingança.

Esses homens deveriam ser presos e terem um julgamento conforme as constituições do mundo civilizado.

Por que temem levar esses homens a um tribunal? Os EUA temiam que Osama bin Laden fosse ouvido e que revelasse as tenebrosas transações entre um e outro?

Foi por isso que preferiram o assassinato de Gaddafi?

E você acha engraçado este tipo de solução? O assassinato?

Sexta-feira, Setembro 23, 2011

os idiotas reativos



SAKINEH E TROY DAVIS, DOIS PESOS

É a seletividade midiática, criadora de simulacros, que cria esses seres reativos robotizados. No ano passado, todo mundo se posicionou a favor da iraniana Sakineh, condenada à morte. Na verdade o ocidente (ideologia) condenava o presidente iraniano Ahmadinejad. Caricaturado como representante de um regime cruel, misógino e intransigente. E os seres reativos lutaram pela vida de Sakineh; que pena de morte é sacanagem, né?

Esses são os mesmos que gritaram Free Tibet, no momento em que a olimpíada era realizada na China e os Esteites temiam o protagonismo chinês no mundo. Depois das olimpíadas ninguém mais se importou com o Tibet e com as pretensões do Dali Lama de implantar uma teocracia por lá.

Pois bem, os que lutaram fervorosamente pela vida de Sakineh nem se comoveram com a morte cruel, intransigente e racista de Troy Davis. Afinal, os Esteites podem matar quem quiser, inclusive esconder o corpo. A pena de morte que assombrou o mundo no Irã é a mesma pena de morte tolerada veladamente nos Esteites. Troy Davis, de 42 anos, foi assassinado por injeção letal numa prisão da Geórgia (on my mind) no dia 21 de setembro. Das 9 testemunhas que acusavam Davis, 7 retiraram a queixa e alegaram coação. Mas quem se importa? Se os justiceiros estadunidenses puderam invadir um país,  e dar um tiro no meio dos olhos de Osama bin Laden e desaparecer com o corpo, sem julgamento, o que mais não podem fazer?

E os idiotas reativos? O mundo que comemorou o 11 de setembro nos Esteites, não se importa com o 11 de setembro do Chile. E o 11 de setembro, nos Esteites, continua sendo caracterizado como o maior atentado terrorista da história, mas sabemos que o maior atentado terrorista da história foram as duas bombas atômicas que os Esteites lançaram na população civil do Japão. Inclusive essa tragédia fez aniversário há pouco e o mundo se silenciou. O mundo, não, os idiotas reativos.

Islamofobia

A França dá mais um passo para estimular o ocidente na sua sanha islamofóbica e misógina. Agora as mulheres mulçumanas não podem se vestir como mulçumanas, o que é uma prova do fundamentalismo cristão se agigantando desavergonhadamente. O diabo é que as mocinhas francesas podem continuar indo à escola vestidas como cristãs. Ou você acha que as vestes ocidentais não são vestes cristãs? Do jeito que vão à festa podem ir à missa. Pergunte às índias brasileiras colonizadas se as vestes que cobrem as "vergonhas" das moças ocidentais não são vestes cristãs!

Lelê Teles

Terça-feira, Agosto 30, 2011

A reporCagem

A revistaveja acaba de cometer um crime de fajuta espionagem e araponguismo amador. A chamada "grande imprensa", em previsível conluio, se silencia. Em entrevista a Conceição Lemes, o gerente do Hotel Naoum em Brasília, senhor Rogério Tonatto, afirma que um repórter da revistaveja tentou invadir o apartamento em que se hospedava José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil no governo Lula.
Tonatto também descarta que as imagens exibidas por veja tenham sido captadas pelo circuito de segurança do hotel. Tudo indica que o araponga do famigerado semanário instalou uma câmera no corredor do hotel. Usando nome falso, o espião de veja cometeu os crimes de falsidade ideológica e tentativa de invasão de domicílio, além de invasão de privacidade, uma vez que filmava todos os hóspedes e funcionários daquele andar em que a câmera foi sorrateiramente instalada.
O diabo é que tão desastrada ginástica gerou uma matéria de capa em que tudo o que nela contém é fumaça. Tudo inconsistente, tudo insinuações, tudo baseado em abjeta felonia. Aí a revistaveja atenta contra o jornalismo.
Há muito a revistaveja aprendeu a distorcer os fatos e contorcê-los em factoides. Contra a realidade, o simulacro. Esta matéria de capa extraída de forma criminosa, mostra José Dirceu, dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores, recebendo correligionários, o que não é nenhum crime e nem se configura em uma anormalidade. Mas veja, da escola de Kamel, "testa hipóteses". Dirceu estaria conspirando contra Dilma.
E quem participa da pérfida conspiração? O Ministro do Desenvolvimento, José Pimentel, amigo pessoal de Dilma, e José Sergio Gabrielli, Presidente da Petrobrás, homem de elevado prestígio no governo. E todos os membros do PT que frequentam aquele hotel, muito frequentado por petistas. Ou seja, paranoia, conversa furada, factoide, ilações, panfleto raso. É como aquela história do chamado Mensalão em que o governo estaria pagando gente do próprio governo para votar com o governo.
Veja, que se comportou de forma clandestina e leviana, acusa na reporCagem que Dirceu é quem mantém um escritório clandestino em Brasília. Distorção! O caso Murdoch ainda está fresco na mente de todos nós. O mesmo tipo de arbitrariedade é cometido, não de hoje, pelo semanário da família Civita.
Sabe-se que a Polícia Federal já está nesse caso. Agora falta saber se o Governo Federal vai continuar inundando de publicidade um veículo criminoso, a conivir? A Secom vai manchar a imagem de um governo que pune criminosos pagando para essa revista continuar praticando crimes? O governo paga para um veículo fazer contra-propaganda?
Está na hora da faxina!
Lelê Teles

Domingo, Agosto 14, 2011

uma boa luz

Um amigo, secretário de estado, ligou-me convidando-me e estendendo o convite à minha esposa para irmos, os dois casais, a uma estância pouco afastada da capital para um jantar onde serviriam comidas peruanas.

Convite aceito. Minha esposa é peruana e eu sou apaixonado pelas iguarias daquelas paragens. A estância se chama Boa Luz, freqüentada por gente de boa cepa, e se configura, como publiciza em anúncios, como uma mescla de hotel fazenda e zoológico.
A comida estava correta, mas alguns pratos ficaram a desejar, porque o chefe teve dificuldade em encontrar alguns ingredientes que acabaram fazendo toda a diferença no resultado final. Sabemos todos que a alquimia necessita da dose certa de insubstituíveis elementos.
O clima estava agradabilíssimo, havia uma lua cheia no céu, cuja luz banhava a nossa mesa e ressaltava a luz da tintura dos cabelos de nossas consortes. Na verdade com sorte éramos nós, eu e o amigo.

As botellas de um pinot noir chileno delicioso começaram a brotar na mesa. O riso ficou leve e a conversa descontraída. Um jovem fidalgo veio sentar-se à mesa conosco. Tilintamos as taças e sorvemos o divino líquido que já foi a maior motivação de culto ao Deus Dionísio (Baco) e regou bacanais; o mesmo líquido que obrigara Jesus, o Cristo, a fazer o seu primeiro milagre, livrando os anfitriões de uma boda de indesculpável constrangimento.
Lá pelas tantas, já tontos, depois de ter elogiado muito o trabalho modernizador do prefeito de Aracaju, o jovem fidalgo passou a discorrer sobre trânsito e aí começou a falar do Brasil inteiro. A mobilidade urbana era o tema. O rapaz, então, falou do número excessivo de carros, que isso era sinal de atraso, que o Brasil estava na contra-mão do mundo, que os holandeses andavam de bicicleta (como ele havia visto a olho nu), e que deveríamos fazer como Nova Iorque que cobra caro para quem quer entrar nas ruas usando um automóvel particular.
Disse tudo isso e, em um só gole, fez sumir o líquido da metade de uma taça. Pedi um aparte e fui logo pro J’accuse. Disse que ele tinha uma visão aristocrática do mundo, o que era natural por ser ele um fidalgo. Eu disse que alguns brasileiros só passaram a reparar que os holandeses andavam de bicicleta ontem, porque no Brasil garçons, domésticas, porteiros, padeiros e vendedores de amendoim passaram a ter automóveis.
Enquanto os descendentes dos senhores de engenho - afinal estamos em um estado que foi escravocrata e ainda mantém algumas nuances escravagistas - faziam sair monóxido de carbono dos automóveis, estava tudo muito lindo. Agora engarrafou! 
Melhor seria termos um transporte público de qualidade, para que garçons, padeiros e pedreiros voltassem aos trens. Mesmo porque não haverá transporte público para levar o nosso garboso mancebo até um hotel fazenda.
Perguntei se o jovem tinha ido até a Holanda de bicicleta, ele achou graça e disse que foi de avião. Eu disse a ele que o avião polui mais que o automóvel e que, por isso mesmo, não fazia o menor sentido o elogio que ele fazia ao povo dos Países Baixos.
Que era igualmente elitista a solução que ele disse ter visto em outras terras estranjeiras. Se uma cidade, nas estranjas, permite quem tem dinheiro usar um automóvel e obriga quem não tem a andar de ônibus, essa cidade é um mal exemplo. Embora por aqui sirva de grande exemplo para os endinheirados que tentam alçar voo por nossas vias e são impedidos porque há muitos carros 1.0 a atravancar-lhes o caminho.
Disse ao atônito rapaz que a solução das bicicletas era igualmente hipócrita. Que os chineses andavam de bicicleta quando eram pobres e o ocidente via nisso a pobreza do comunismo a obrigar a sua gente ao atraso. Agora que os chineses se endinheiraram e andam em veículos possantes o mundo quer vê-los novamente em bicicletas porque dizem que o carro é sinal de atraso.
Disse ao imberbe interlocutor que sou de Brasília e que lá o clima é mais seco do que no deserto do Saara, não é tão agradável como o clima de Amsterdã, e que seria um enorme desconforto ir ao trabalho à tarde com um sol muito quente num clima muito seco, além do mais no DF os trabalhadores percorrem longas distâncias até chegarem ao trabalho. E além disso, frisei que com uma pele tão alva, o nosso ciclista de última hora seria desaconselhado pelo dermatologista da família a empregar essa atlética fórmula de altruísmo civil.
E que por fim todo esse colapso carece de solução, mas é ao mesmo tempo louvável. É sinal de um país de economia pujante, que cresce e oferece oportunidades para todos. Um país em que patrões e empregados param lado a lado no sinal vermelho. Em que o vendedor de amendoim, muito civilizadamente, para na faixa de pedestre para a madame atravessar com o seu cachorrinho de pedigree europeu.
Todos têm direito a um automóvel, gritei erguendo a taça, e o estado tem a obrigação de criar alternativas para que todos exerçam esse direito.
Brindamos, sorrimos bastante e mudamos de assunto. 


Lelê Teles

Segunda-feira, Novembro 29, 2010

perdeu, playboy

Zoinho. Foto de Evandro Monteiro
a força do inimigo número um da burguesia

PERDEU, PLAYBOY. 140 caracteres de puro ódio e ignorância.

Bandidos tocavam fogo em veículos no morro e no asfalto no Rio de Janeiro. Uma pirotecnia de quem quer chamar atenção. Propaganda. Bandidos desesperados com a perda de territórios para as Unidades Pacificadoras (UPPs) tentam chantagear o estado com o terror.

Poderia ter funcionado. Todos nós sabemos que em São Paulo isso funcionou. Lá, motivados pela remoção de líderes do PCC para a Penitenciária de Segurança Máxima Vicente Venceslau, o comando organizou oito dias de terror e pânico, em 2006, usando a mesma tática: carros, caminhões e ônibus incendiados, postos policiais alvejados por metralhadoras e policias assassinados.

A Secretaria de (in)Segurança de São Paulo iniciou uma ofensiva, que culminou com quase 500 pessoas assassinadas, muitas sem passagem pela polícia, muitas com indício de execução. Mas os ataques do PCC se seguiam. O governo paulista, então, capitulou. E negociou com o crime o fim da revolta dos bandidos, como mostra de forma inequívoca o filme Salve Geral.

Neste final de semana, ainda motivados pelo filme do Padilha e acreditando na capa da revistaveja que diz que o Capitão Nascimento é um herói nacional, followers homicidas passaram a destilar o seu ódio na minha timeline: “bala neles, tem que mandar bala e matar todos esses facínoras, por que o BOPE não atirou em todos enquanto estavam fugindo, tem que meter o pé na porta de morador que esconde bandido e mandar bala...”.

É uma barbaridade. Lembremos todos que no filme do Padilha, Capitão Nascimento e Matias colocam no saco e atiram sem piedade nos caras da favela. No entanto, se contentam em dar umas bolachas e cascudos nos garotos brancos do asfalto. Bala nem pensar. Os followers gostaram dessa seletividade. Eles gostam.

Sentados, tomando suco de laranja e vendo o noticiário na TV de plasma, brindando ao ver os blindados, os followers não se dignaram em se colocar na sala de uma casa na favela com 2.600 homens e mulheres das forças armadas nacional, o BOPE, e as polícias civil e militar e 600 bandidos armados até os dentes do lado de fora. “Manda bala, é tudo traficante. É guerra”.

Guerra não era, que guerra só é possível entre duas ou mais nações com forças armadas dos dois lados. Aqui o nosso inimigo era uns caras magrelos, sem camisa, sem dentes, sem escola, sem emprego, sem perspectiva, sem uma sólida estrutura familiar e que foram atraídos por traficantes para serem soldados viciados. Andarem com armamento pesado e serem impiedosos, idolatrados e temidos. Como mostra Falcão, os Meninos do Tráfico.

O diabo é que os meus fallowers são o tipo de gente que se indignou com a Chacina dos Meninos da Candelária, os mesmos agora pedem a execução sumária dos bandidos; ou seja, deixa crescer que depois a gente mata. O Capitão Nascimento dizia, no filme do Padilha, que se sentia enxugando gelo toda vez que fazia uma operação assassina na favela. O BOPE era só uma máquina selvagem, estúpida e demofóbica. Haveria que civilizar-se. Finalmente a inteligência venceu o ódio.

A política inteligente de Cabral e Beltrame, republicana, democrática e respeitosa ao estado de direito está ocupando os morros, devolvendo dignidade para os moradores, negociando a rendição dos bandidos, apreendendo armas, drogas e produtos de furtos. E, sobretudo, está agindo no asfalto, prendendo advogado pilantra e familiares de traficantes coniventes. Bloqueando contas bancárias, bloqueando bens e rastreando a contabilidade do crime.

E os meus malvados e sanguinários followers ganharam de presente uma bandeira do Brasil hasteada sobre uma grande obra do PAC, que os mesmos jornais que eles estavam assistindo nunca haviam mostrado; os noticiários mostraram também prédios de apartamentos na favela, novinhos e com gente dentro; mostraram a escola nova e com fachada linda com o nome do jornalista Tim Lopes. Viram, mesmo que de soslaio, que o Governo do Rio está interessado em dar cidadania para os favelados.

Para os que torciam por um derramamento de sangue, com milhares de pessoas pobres, pardas e pretas mortas pelas ruas ficou a decepção.

Perdeu, playboy!

Lelê Teles

Sexta-feira, Outubro 08, 2010

e se o Tiririca for analfabeto?

Ô candidato bunito!

Tudo bem que vão aferir, por meio de um testezinho simples, se o candidato Tiririca é alfabetizado ou não. E se ficar comprovado que Tiririca não é alfabetizado?

Se ficar confirmado o que a burguesia e os falsos vestais tanto esperam, Tiririca não poderá ser diplomado, ou perderá o mandato assim que assumir. Como o humorista amealhaou mais de 1 milhão de votos, a Justiça Eleitoral não estaria somente anulando a candidatura de Tiririca, anularia um milhão e trezentos mil votos!

Como a Justiça Eleitoral pode fazer uma sacanagem dessas? Por que a Justiça Eleitoral não disse antes que Tiririca era inelegível? Para o nosso sistema eleitoral a candidatura dele é legítima, ou era até pouco tempo. Ele fez propaganda na TV, o nome dele e a foto apareceram na urna eletrônica, o cabra é ficha-limpa; que palhaçada é essa?

Para o eleitor, o critério, o único, era votar em quem está autorizado pela Justiça Eleitoral para fazer campanha, senão eu teria votado no meu papagaio que só fala o que eu quero; ou no pássaro da gaiola do meu tio, que sabe que está preso e sabe que pode voar, mas não voa, porque sabe que o seu vôo permitiria que a fantasia de meu tio voasse.

Restou-me votar no Tiririca, porque a Justiça Eleitoral disse que ele tava apto a ser votado. No entanto, depois de eleito a mesma Justiça Eleitoral quer cassar o meu voto, porque Tiririca não poderia ser votado. Que palhaçada é essa?

Quando defendi firmemente a candidatura de Tiririca e disse que isso faz parte da democracia, os meus interlocutores disseram que não era bem o Tiririca que os preocupava, o que os preocupava é que Tiririca levaria mais uns cinco com ele, e esses cinco são barra-pesada, disseram. Mentira, mesmo se fosse verdade. Ora, eu respondo, e o que tem o Tiririca a ver com isso?

É fácil jogar tudo nas costas do palhaço. Por que essas pessoas não questionam o nosso sistema eleitoral? Que palhaçada é essa que eu voto em um candidato e cinco outros que eu nem conheço levam de lambuja o meu voto e se elegem? É o voto laranja?

Não foi só o Tiririca que levou com ele, com os votos que obteve, outros menos votados. Por que só enxergam essa excrescência ao mirarem o Tiririca?

Não seria essa a luta de milhões de analfabetos políticos querendo destruir a candidatura de um político analfabeto?

Lelê Teles

Lelê Teles

Quarta-feira, Setembro 22, 2010

Tiririca, pior que tá não fica

nos Estados Unidos e na Itália. Por que não no Brasil? É a democracia, idiota!
Vejo com profunda consternação a propagação do preconceito contra a candidatura do humorista Tiririca pelos veículos de maledicências. Chamam-no Palhaço Tiririca. Dizem palhaço porque a palavra remete ao imaginário do circo popular, da coisa periférica, tornada pejorativa e jocosa. Didi, que faz graça na Globo, é o humorista Renato Aragão. Jô Soares é igualmente humorista. Mas Tiririca é o palhaço.

E que mal fará à democracia a eleição de Tiririca? Sua candidatura é legítima. Nos Estados Unidos, Reagan, um ator de faroeste, foi eleito presidente em 1984. A porn star húngara Cicciolina foi eleita para o parlamento italiano em 1987. No mundo democrático isso não é novidade e nem é palhaçada.

Plínio, que adora ser engraçado, não tem suas tiradas tidas como palhaçadas, uma vez que chega de gravata aos debates televisivos. E seus eleitores são qualificados, são os do voto de protesto. Protesto contra quem, contra o quê? Com um partido exíguo, sem quadros, contra tudo e contra todos, sem uma plataforma de governo clara, sem uma política exterior definida, sem uma proposta econômica coerente, o que quer o Plínio, fazer graça? E palhaço é só o Tiririca?

Heloísa Helena, que outrora cometeu suicídio político, ao fundar o Pissol, foi elevada ao píncaro pelos veículos de maledicências porque era anti-Lula. Mas a sua candidatura era apenas uma piada. Como é a de Plínio. Helô arrancava gargalhadas com o seu vão palavrório, com as suas frases construídas para animar plateias. E sua candidatura de protesto(?) serviu para eleger Collor em Alagoas, uma vez que Helô preferiu rodar o Brasil a bravatear contra Lula do que lutar para que seu estado não voltasse para os braços de Collor de Melo.

Quem é palhaço, os eleitores de Tiririca? O Congresso não é um grande circo? A figura da fachada do Congresso não é mesmo a de um Grande Agá? Não é lá que dão plantão os jornalistas pipoqueiros, os colunistas que fazem acrobacias para desinformar a população sobre o que de fato se passa naquela casa?

Quando a turma do Gabeira elegeu Severino Cavalcanti como presidente da Câmara para dar o golpe no Lula, não foram esses pipoqueiros e malabaristas que bateram palmas? E não foram estes mesmos funâmbulos que se regozijaram quando o mesmo Gabeira, dedo em riste, abriu mão de sua fleuma para tornar-se um macho viril e ameaçar surrar o pequeno Severino, o Jabuti sobre a árvore?

Por que quando se apresentam candidatos dissimulados que irão representar o agronegócio, as empreiteiras, o lobby das armas – esses engravatados e engomadinhos – ninguém pergunta o que será do Congresso e da democracia? Por que essa pergunta só se faz quando o candidato é popular e sua candidatura é explícita?

Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos, um bandido que saiu a 4 anos da prisão e construiu um patrimônio avaliado em 100 milhões de reais, acusado de ter ligação com o PCC (que o PSDB diz ter desmantelado), investigado por adulteração de combustível, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, pode ser eleito deputado federal em São Paulo. Esse escroque vai representar o PCC na Câmara Federal, no entanto o Tiririca é quem incomoda.

Tiririca, embora a mídia esteja contra a sua candidatura, poderá ter um milhão de votos! Por que a mídia não questiona a si mesma como formadora de opinião? Acho que a mídia deveria tratá-lo com mais respeito, deveria procurar entender o que realmente significa a sua maciça votação, o que querem dizer os seus eleitores, avaliar o real significado de sua campanha, que é engraçada, inteligente e deliciosamente popular.

Lelê Teles

Terça-feira, Agosto 10, 2010

feitiço contra feiticeiro

Nada está tão ruim que não possa piorar, reza o ditado. Os deformadores de opinião, no afã de salvarem Serra da irrevogável e fragorosa derrota, vão jogando na lata de lixo a pouca credibilidade de que dispõem. Pouca para não dizer exígua.

Dever ser desesperador para o aparato midiático apátrida e entreguista passar oito anos esculhambando Lula da Silva, usando para desconstruir sua imagem uma rede de emissoras de rádio e TV, jornais, sites, dando carta branca a seus mais inteligentes articulistas, se valendo ainda de ex-embaixadores, atrizes, especialistas em todas as especialidades, blogueiros, trolls, ex-presidentes, crises artificiais, caos orgânicos, factoides, pilhas de dinheiro, dossiês, estatísticas, leitões, índios, absolutamente tudo de que dispõem e no final verem o presidente chegar ao mais alto índice de aprovação da história. Não é um retrato da reprovação da mensagem deletéria?

A última trincheira seria a justiça, como afirmaram os mais desesperados. Pois agora veja você, o caldo parece ter desandado. A justiça disse que o PSDB mentiu e garantiu direito de resposta ao PT no sítio tucano, a mesma justiça disse que Veja mentiu e garantiu direito de resposta ao PT nas páginas do veículo de maledicências. E agora José?

José Serra ainda contava com William Bonner e Fátima Bernardes. E o casal foi perfeito para fazer Dilma crescer e acertar o seu discurso, impor a sua marca que será, sem dúvida, martelada daqui pra frente: “eu tenho experiência administrativa, eu conheço o Brasil de ponta a ponta, eu tenho imenso orgulho da minha relação política com o presidente Lula”.

Era só o que faltava. Em pleno Jornal Nacional a candidata de Lula deixou claro para todos os brasileiros que ela é a candidata de Lula. Porque 25% dos eleitores ainda não sabiam quem era o candidato de Lula, um terço dos eleitores de Serra padecia da mesma dúvida, o casal Bonner prestou este imenso serviço à nação.

Os telespectadores do Jornal Nacional não deixaram de notar algo estranho. Eles nunca haviam visto o casal Bonner se desentender no ar, nunca viram o casal tão irascível e perceberam que as perguntas feitas para criar desconforto na candidata de Lula gerava mais desconforto neles próprios após cada resposta.

Graças ao Jornal Nacional, os brasileiros souberam quem é a candidata de Lula, o que ela pensa sobre o Brasil e que ela é uma mulher sorridente e ao mesmo tempo firme. Que esta mulher já ocupou importantes cargos administrativos, até se tornar ministra e em seguida chefe da Casa Civil. Ficou claro o quanto Lula confia nela. E que ela não foge de perguntas e não tem medo de entrevistadores. E agora José?

Lelê Teles, Aracajour

Quinta-feira, Julho 22, 2010

NO FINAL DE 2010 FINDA O MUNDO PARA OS MAIA

eu em momento brainstorming

Os maias foram aquela civilização maravilhosa que floresceu na América Central. Embora vivessem em magníficas edificações, trabalhassem o ouro de forma artística e tivessem um extraordinário conhecimento matemático, inclusive com o número zero, são tratados pela historiografia canônica e eurocêntrica como indígenas. Claro que o epíteto indígena aqui tem uma conotação pejorativa.

Após o declínio da civilização maia, floresceu, nos andes, a civilização inca, moderna em quase tudo. Abrigava cerca de dez milhões de indivíduos. Trabalhavam o ouro, a prata e o cobre, exímios construtores, erigiram edificações que desafiam a compreensão de engenheiros até hoje, mesmo usando as mais modernas tecnologias; a capital do império inca, Cuzco, era superior a tudo o que existia na Europa.

No entanto, Pizarro, o bizarro personagem ibérico que veio conquistar aquela região, era um imundo soldado raso e analfabeto, e trouxe uma malta de doentes com ele. Ao contrário do que se imagina, não foi Saddam Hussein o primeiro a usar arma biológica em uma batalha, foi Pizarro.

Ao chegar ao continente novo com a sua virótica gente, abateu os povos de cá com inúmeras moléstias, tendo feito o povo sucumbir pelas suas imundícies, mais que por sua astúcia.

Pois veja você, um povo que vivia em cidades fortificadas, com uma população maior que a de qualquer cidade europeia, com prédios públicos, templos, com conhecimento de astrologia e astronomia, com um maravilhoso e preciso calendário que os ajudava a metrificar o tempo, prever as estações, plantar e colher sem sobressaltos, é chamado de selvagem ou indígena. E um povo jovem, que herdou quase tudo o que sabia dos exploradores árabes e romanos, é chamado civilizado.

A Espanha de hoje, embora seja um país, ainda nem é uma nação, e talvez nunca venha a ser. Mas voltemos aos maias. Por falar em maia e índio, lembrei-me agora, ventilam por essas paragens que o povo maia previu o fim do mundo para 2012. Quais Maias?

Para César Maia e Rodrigo Maia, da tribo do cacique da Costa, o mundo desaba no final de 2010.

DEFICIENTES CÍVICOS

O presidente Lula sancionou no dia 20 a Lei do Estatuto da Igualdade Racial. Um enorme avanço para esta nação racista. No entanto, o sistema de cotas para negros nas universidades e nas inscrições de candidatos nas eleições foi retirado do texto final. Um grande atraso.

O DEM, foi à justiça contra as cotas para negros. Ali Kamel usou as Organizações Globo para pregar o seu discurso racista de que não existem raças e nem racismo no Brasil. No Brasil, para os racistas, as raças só existem quando querem justificar que o Brasil é uma país miscigenado, que nasceu da mistura de 3 RAÇAS. Mas na hora de assegurar direitos, a raça desaparece.

Com um cientificismo raso dizem que a biologia não determina a existência de raças. Mas no afã de se fazerem assertivos selecionam malandramente o apelo científico que lhes ratifica o discurso. À luz das ciências sociais o conceito de raça está mais do que claro. Raça é uma categoria social. Porque é socialmente que ela se afigura como uma realidade. O negro não é simplesmente uma cor, negro como raça é mais do que cor. Preto é cor, negro é raça. Pode-se se dizer que todo preto é negro, mas nem todo negro é preto. Os negros são os não-brancos, são os pretos, os pardos, os mulatos, os que sofrem discriminação no trabalho, nos shopping centers e que são alvo preferencial de policiais e seguranças. Na sociedade não faltam agentes qualificados para identificar um negro. Embora todos eles digam que o negro não existe. Talvez queiram dizer que o negro não deveria existir.

Na copa do mundo realizada na África do Sul, o tratamento dado àquele país pelo aparato midiático tupiniquim destoou de tudo o que já se viu na cobertura de uma copa. O que soubemos sobre a África do Sul? O que nos contaram sobre a literatura, a música, as edificações, a poesia, os teatros, cabarés, bares, boates, shoppings, praças... o que soubemos sobre a África do Sul além do clichê que já conhecíamos?

Pela primeira vez na minha vida eu ouvi narradores e comentaristas esportivos reclamando do barulho de uma torcida. Falavam das infernais vuvuzelas. As vuvuzelas são velhas cornetas conhecidas dos estádios brasileiros, nem são uma novidade. A novidade foi vê-las sopradas pela boca de negros alegres. Incomodou. Lembro que os nossos narradores falam com entusiasmo sobre os estádios argentinos onde os torcedores não param de gritar e cantar, mesmo que o seu time esteja perdendo. Mas os negros são barulhentos.

Embora as televisões mostrassem estadunidenses, suecos, holandeses, japoneses e alemães tocando vuvuzelas, os narradores insistiam que o barulho incomodava. Se incomodava por que os não-africanos estavam tocando? O que incomodava é que o som lembrava os negros a tocar, felizes e sorridentes.

Lelê Teles, aracajour

Segunda-feira, Maio 24, 2010

ateu no céu. ou um créu para o incréu saramago.

Caravaggio Judith Beheading Holofernes
era ateu.
morreu e foi pro céu.
o Ser Supremo colocou a mão no seu ombro e disse: sou Deus.
e ele, surpreso: não acredito.
Lelê Teles, Brasília.

Domingo, Maio 23, 2010

xiii, marrão.

você gosta de chimarrão? ele, não.
Todos nós sabemos que o Brasil é complexo demais para os vira-latas. Tem uns caras que sabem se comportar como um lord, como um sir, mas não sabem se comportar como brasileiros.
Quando Lula fez um arraiá na Granja do Torto, danuza leão achou cafona. Ele deveria ter feito um halloween, claro.
Certa vez FHC, em campanha pelo nordeste, subiu no lombo de um jegue e viu-se ali um jumento e um burro. Se o jegue subisse no lombo de FHC a cena não ficaria menos ridícula.
Mas nada está tão ruim que não possa ser piorado. Serra nos deixa essa pérola.
Lelê Teles, Brasília

Quinta-feira, Maio 13, 2010

negros de merda, negros filhos da puta. negros

as felizes vuvuzelas
Ouvi pela primeira vez em vida locutores de futebol contrariados com o barulho de uma torcida. Eram os negros africanos e suas felizes vuvuzelas.
Lelê Teles, Brasília. clicando aqui vc compreende melhor o título da postagem.

Quarta-feira, Maio 12, 2010

SERRA ABAIXO

alfred-eisenstadt
SERRA KISS MAS AÉCIO NÃO QUIS

Seguindo ainda Marcel Mauss na trilha antropológica da Expressão Obrigatória dos Sentimentos, podemos descrever o beijo, ou o ósculo, como gestos mágicos carregados de simbolismos. O beijo do soldado americano em uma enfermeira, desfalecida em seus braços, imortalizado pela lente apaixonada de Alfred Eisenstaedt, simbolizou o fim da segunda guerra mundial. Caravaggio “fotografou” de forma magistral o beijo símbolo da traição no momento em que a face esquerda do Carpinteiro da Galileia será tocada pelos pérfidos lábios do Homem de Kerioth. Clark Gable e Vivian Leighe protagonizaram o beijo mais famoso do cinema. Podíamos ficar aqui semanas só registrando ósculos e beijos, mas paremos com esse aí do alto. Note que o beijoqueiro avança com ímpeto. O imberbe Aécio tenta contê-lo. Com a mão direita empurra Serra pra trás (note a posição do polegar opositor), e com a mão esquerda esgana o “ectoplasma”, simbolicamente. Quando um tucano não quer, dois não se bicam. Mas Serra não se faz de rogado. O pescoço se estica como o de um cágado, o bico se assanha. Note a mão esquerda de Serra e as rugas na blusa de Aécio. Enquanto Aécio o impele para fora, Serra se “puxa” pra dentro. Dias depois Aécio deixou crescer a barba. Simbolizando a repulsa. Serra não ousaria beijar um homem de barbas.

O LEÃO E A ALFACE

Quando disputou a eleição contra o Lulinha paz e Amor, Serra disse que o povo não entraria nessa jogada de marketing porque estranharia ver um leão comendo alface. Pois Serra agora adotou a mesma dieta. Mas sabe como é, dieta não pode ser imposta, quando a pessoa está disposta a entrar numa dieta ela tem tudo para dar certo, mas quando é uma imposição de fora, a pessoa tende a recaídas. E Serra, que já mandou demitir jornalistas, agora encena uma de bom moço engraçadinho. Mas já se indispôs pelo menos três vezes contra jornalistas. Chamou uma de petista, mandou outra se informar melhor e agora deu uma bronca de chefe na urubóloga Míriam Leitão, uma aliada dele (e agora mandou um recado aos patrões de outra repórter) Acordar cedo e comer alface não está fazendo bem a Serra.

BRASÍLIA 50 ÂNUS

Brasília representava o sonho mudancista, a interiorização da capital e a ocupação do Brasil central. JK, como um faraó, erigiu uma cidade faraônica, com algumas pirâmides, inclusive uma pirâmide túmulo onde está “enterrado”. Como um Pacal, adornou de arte a sua cidade futurista. Do chão afloraram palácios, brotaram catedrais, nasceram monumentos. Mas, como as pirâmides do Egito e das Américas pré-colombianas tudo foi construído com suor, o sangue e a vida de uma multidão. Em Brasília, 60 mil peões vieram de pau de arara, a maioria nem conhecia edificações em alvenaria ou máquinas. Muitos foram mutilados, muitos morreram e nem tiveram covas, viraram alicerces. No acampamento Pacheco Fernandes, os operários que reclamaram da comida foram fuzilados pelo exército.

Ao concluírem uma das cidades mais bonitas do mundo, os sobreviventes foram despejados nas longínquas cidades-satélites, ocupando barracos de madeira: sem água encanada, sem energia elétrica e sem esgoto. Hoje 29 cidades orbitam Brasília. A pobreza aumenta. E a cidade-presépio vive um drama demográfico. Os carros congestionam avenidas, os engarrafamentos aumentam, o metrô não suporta tanta gente, o transporte público é um vergonhoso cartel, os lixões se proliferam, como proliferam as máfias dos concursos e da grilagem de terras públicas; a corrupção é endêmica. Um deputado acaba de sair do presídio e assumir uma vaga na Câmara Legislativa. É o Detrito Federal.

Lelê Teles, Brasília