Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Fala que eu discuto

Giulita flutua sobre as águas
Emudeço-me diante de tamanha falação. Os tais líderes da oposição, anabolizados por setores golpistas da imprensa, tentaram imprensar Lula da Silva. Impressionante, mas quanto mais batiam, mais Lula crescia. A esse fenómeno nomearam Massa de Bolo. Mas os falastrões continuaram batendo com a língua nos dentes. E as línguas cresceram e viraram gravatas, em seguida passaram a enforcar um por um. ACM Kid daria uma surra em Lula e levou uma facada pelas costas.
Arthur Virgílio, que primeiro vociferou surrar Lula da Silva, foi surrado nas urnas, obtendo somente 5% dos votos para governador. Mas, sem vergonha, seguiu a esbravejar até que parou com seus préstimos e empréstimos com o escroque Agaciel Maia.
Heloísa Helena, a alagoana com aquilo roxo, também estava na turma dos surradores, hoje é uma voz muda e suas estripulias só serviram para eleger Collor em Alagoas. E por aí vamos.
Esses três já sumiram do mapa. Agora, no dia de finados, resolveram ressuscitar FHC. Por que? Porque na oposição falta voz e falta voto.
Dizem que são as perguntas que movem o mundo. Como diria FHC, isso é uma bobagem. Mas vamos nós à uma simplória maiêutica. Afinal, perguntar não ofende: FHC, Arthur Virgílio, ACM Kid, Agripino e Rodrigo Maia, Heráclito (ovo na boca) Fortes, Roberto Freire... como um time de sem-votos pode eleger um presidente?
Perguntam como Lula transferirá os votos que tem para Dilma, e pensam que essa é uma pergunta inquietante. Inquietação está na seguinte pergunta: como esse time de sem-votos vai transferir os votos, que não têm, para Serra?
E mais não digo, nem pergunto.
Lelê Teles, Brasília

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Feliz aniversário, Lula

Domingo, Outubro 25, 2009

o cristo romano coligou, sim

A Folha recolheu as pedras que tinha nas mãos
Os caras que escreveram a história de Cristo, e que não o conheceram, e estavam em Roma sob o jugo romano, forçaram uma aliança de Jesus com os fariseus; e aquele cara-de-pau da CNBB sabe disso, mas preferiu fazer o papel do Cego de Jericó. Pilatos foi providencialmente absolvido pelos escribas, que atribuíram aos judeus um julgamento tipicamente romano, uma fraude. E o que dizer da imagem improvável de Jesus curando o soldado de um centurião romano em Cafarnaum, cidade que nem tinha soldado romano (outra fraude grossa), e ainda colocaram na boca do Mestre Galileu estas bisonhas palavras "nunca vi um homem de tanta fé"; vai ver que era porque o centurião era politeísta, haha.
E o que dizer do Príncipe dos Humildes comendo como um glutão junto a coletores de impostos; inclusive um de seus discípulos, Mateus, era coletor de impostos. E Pedro e os seus camaradas tinham uma firma de pesca, tinha empregados, barco, não eram pescadores andrajosos que andavam com uma vara na mão, eram capitalistas interesseiros. Pedro, por exemplo, negou Cristo três vezes, dormiu ao invés de velá-lo, e afundou quando teve que provar a sua fé ao caminhar nas águas. Levou de presente uma escritura para abrir igrejas com filiais no mundo inteiro. É bom sempre lembrar o velho Padre Antônio Vieira, que também duvidava da fé de Pedro.
Jesus foi sepultado no sepulcro de um amigo rico, Lázaro. Zaqueu, aquele que subiu num sicômoro para ver o mestre e nos deixou com dúvidas se Zaqueu era baixinho ou se baixinho era Jesus, também era um destes caras ricos financiadores de campanhas. Tanto é que Judas, o zelota nacionalista, o talibã, é que se sentiu traído por Jesus.
E não se esqueça, Jesus foi o primeiro rapa da história, chegou com seus amigos barbudos ao Templo (Templo é dinheiro), quebrou a banca dos camelôs e distribuiu pernadas, cabeçadas e rabos-de-arraia.
Lelê Teles, Brasília esse texto no amálgama: http://www.amalgama.blog.br/10/2009/a-folha-recolheu-as-pedras-que-tinha-nas-maos/

pegaram Judas pra Cristo

O Ser tão vai vir amar
Ah, as metáforas… Sabe como é, faz-se delas o que quer. Os malandros preferem lê-las no sentido literal. A dos brancos dos olhos azuis, por exemplo.

A direita está sem discurso, Serra não tem projeto. PSDB e DEM já começam a se estranhar, não que o DEM tenha um candidato próprio, mas não acredita na viabilidade de Serra, e pede Aécio. Aécio, exausto, daqui a pouco pede a toalha.

Mas vamos às metáforas. No meio da semana, a Folha chama Lula às falas, conversa daqui, cutuca dali, solta um Serra. Lula diz que ninguém se interessa pelo que diz esse senhor. Mas a Folha mostra que ela se interessa e tasca uma outra colocação de Serra, como se fosse um pergunta enviada em um papelzinho e que o repórter tinha que enfiá-la na entrevista.

Kennedy Alencar suou e já ia desistir, mas eis que veio uma metáfora: Jesus e Judas. Ah!, agora sim, pegamos ele. Dia seguinte, nada se soube sobre o teor da entrevista, só se falava em Jesus e Judas. Arthur Virgílio (o que surraria Lula e foi surrado nas eleições) disse que Lula mimetizava o próprio Cristo e que isso era uma blasfêmia.

O ateu FHC também levou a metáfora no sentido literal e sentenciou: “Não foi isso que a gente aprendeu na escola, nas aulas de religião.” Hahaha. Roberto Freire, outro ateu, disse que Lula da Silva chegou ao “cúmulo de justificar suas alianças escusas colocando Jesus e Judas em conluio”. Alianças escusas, diz o ex-comunista, Judas e Jesus, diz o ex-comunista. Freire também deve ter aprendido sobre Judas e Jesus na mesma escola de FHC, a escola dos caras-de-pau.

A CNBB foi chamada e deveria dizer “Ora deixem disso, Lula não falava no Cristo histórico e nem no Cristo bíblico, usou uma metáfora somente”. Uma vez que metáfora, como todos nós sabemos, é um recurso de estilo onde se usa uma expressão dando a ela um outro sentido, um sentido figurado. Mas FHC e Freire leram a Bíblia na escola, e a CNBB não foi à escola nas aulas de português sobre metáforas e metonímias. Parece que todos estavam entorpecidos por um certo tipo de Ácido Crístico.

O que deixou todos meio loucos não foi Cristo e nem foi o pérfido Iscariotes, foi a figura de Antônio Conselheiro que Lula parecia luzir dentro daquele curso de concreto, com um céu azul por cima e uma imensidão em sua volta (o Ser Tão vai vir amar). Os homens de pouca fé sentiram-se apequenados. Serra se viu imerso na lama fétida do rio que lhe emporcalha a cidade. Aécio lembrou-se dos dejetos que joga no Velho Chico. Marina se viu com uma enorme cabeça de bagre, adornada com uma grinalda de pererecas. E Cristovam, vislumbrando o curso sinuoso do novo rio, percebeu que Deus escreve certo por linhas tortas.

Mais uma vez chamaram Marina Silva pra falar mal do Lula, até quando essa senhora vai fazer esse papel ridículo? A mídia a cozinha em Banho-Marina, sempre que podem sacam-na da algibeira, ou é ela ou é o Gilmar Mendes.

Para a grande mídia Lula é o Fariseu, Ciro o Judas, Marina Silva uma Madalena verde, e Serra... bom Serra é aquele que Marina Silva não ataca, porque está obsecada por Lula da Silva. Como se Serra fosse um cara verde, que faz xixi no banho, que tem um gramado no teto de casa, leva sacola de algodão cru ao supermercado e guarda em um pote de vidro o óleo das frituras.

Marina Silva ignora que Minas Gerais despeja, há anos, toneladas de dejetos no Velho Chico, porque está obsecada por Lula da Silva, porque mimetiza a Heloísa Helena e o Cristovam Buarque de outrora; joguete. Serra poderia falar do rio fétido que corre reto em Sampa, aprisionado. Serra poderia falar da poluição e dos dejetos que jorram para a cidade durante as chuvas. Mas sabe como é, Serra agora é verde; verde-musgo.

No final das contas nada ficamos sabendo sobre Judas e ninguém analisou as outras respostas de Lula. A entrevista está disponível.

Mas, para quem não sabe, Judas Iscariotes foi o primeiro malandro beneficiado pelo recurso da delação premiada, entregou o chefe, foi absolvido e ainda levou um saco de moedas.

Lelê Teles, Brasília

esse texto no observatório da imprensa: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=561FDS006

esse texto no amálgama: http://www.amalgama.blog.br/10/2009/pegaram-judas-pra-cristo/#comments

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

É a vez de Dilma

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Por que será que Deus não cura amputados?

oh, my dog
Hoje pela manhã assistia a um programa evangélico na TV, eu gosto da oratória de alguns desses caras. O bispo Silas Malafaia, por exemplo, é uma maravilha. Tem um pastor morenão, que enxuga o suor e distribui a toalha suada para os fiéis – parece que o suor do cabra é milagroso, veja você –, desse eu também gosto muito, além de tudo tem senso de humor. Entre um culto e outro aparecem umas imagens de pessoas recebendo a graça: cadeirantes se levantavam e corriam lépidos, cegos voltavam a enxergar e já olhavam para a bunda da fiel que passava, muletados jogavam as muletas para o alto…

Fiquei tomado por aquelas imagens, embora já as tivesse visto várias vezes. Eu pensava, poxa, o cara ficou 20 anos em uma cadeira de rodas e ao se levantar já caminhava sem dificuldades, como se as articulações estivessem intactas e tal… E no meio do pensamento me veio uma outra curiosidade: por que será que Deus não cura amputados? Cristo, eu me lembrava, curou cegos, entrevados, coxos.. mas não há um único registro em que Djízus restitui um membro a um amputado; não precisava ser uma perna inteira, ou um braço, podia ser apenas uma mão, um dedo mindinho que fosse. Enquanto eu divagava, minha esposa trocou de canal, ao perceber que eu olhava a TV mas não via. Aí ela me sacode e diz, amor, vão falar dos revoltosos de São Paulo.

Entra a matéria: “Em nove meses, nove manifestações violentas aconteceram em favelas de São Paulo. Em todos os casos, carros e ônibus foram incendiados. Ruas e avenidas ficaram interditadas. A polícia vê ligação entre estes protestos”. Era o Bom Dia Brasil. Claro que a polícia do Serra não ia ser colocada em xeque. O enólogo Machado segue um lógico raciocínio: “Além dos atos de vandalismo, as áreas têm em comum as ações que deram origem aos protestos. Na semana passada, no Jaçanã, foi a morte de um rapaz que, segundo a polícia, resistiu à abordagem e atirou contra os policiais, o que provocou a fúria dos manifestantes. Em Heliópolis, foi a morte de uma estudante, durante uma perseguição da Guarda Civil de São Caetano do Sul a ladrões de carros…” Mas aí, filisteu, Renato Machado arremata: “Foram dois dias de protesto. O mais violento foi convocado por bilhetes que prometiam até uma cesta básica a quem participasse”.

Ah, os traficantes, sempre os traficantes. O diabo é que um bilhete vulgar – escrito a mão, ninguém sabe por quem, nem quando, nem por que – vira assunto em meio a uma onda de protestos e violência. Um capitão da PM é convocado a defender a corporação e diz: “Estão sendo feitas investigações para verificar a origem desse papel”. Ora, com os diabos, a origem desse papel, como de qualquer outro, é uma árvore. E o que tá escrito nele não tem a menor importância: alguém viu a distribuição das cestas básicas? Houve fila para recebê-las? Foram distribuídas antes dos protestos ou seriam distribuídas depois? Algum mercadinho da região vendeu centenas de cestas básicas nestes dias? Nada de nada, aquele papel ordinário era somente para encobrir o papelão da polícia do Serra — aliás, da polícia do PSDB; no Sul, como se sabe, sem-terras também foram alvejados covardemente pela polícia tucana. Mas a Globo tinha que arrumar um argumento para desqualificar os revoltados, desconsiderar seu juízo crítico, apontá-los como vagabundos esfomeados, vândalos.

Mas há uma questão semântica aqui, e é muito interessante. Chamam os revoltosos de vândalos querendo dizer que são pessoas que cometem violência gratuitamente, ou porque recebem um prato de comida por isso, ou porque são ameaçados por traficantes e coagidos a arriscarem a vida se expondo de peito aberto e pedras na mão contra uma polícia sabidamente assassina. Os Vândalos, como sabemos, foram os povos bárbaros que provocaram a queda do Império Romano.

Diabos, por que será que Deus não cura amputados?
Lelê Teles, Brasília esse texto n'Osubversivo: http://www.osubversivozine.com/artigos/amputados -------------------------------------------------------------------------------- no amalgama: http://www.amalgama.blog.br/09/2009/violencia-policial-bom-dia-brasil/

Sábado, Agosto 29, 2009

a noblesse de noblat

Noblat conversa com o diabo
É um cara-de-pau esse Ricardo Noblat. Espuma como um cão ao falar do rabo sujo dos outros. Mas baba como um bobo ao falar do seu. Escuta essa, minha senhora. A senhora ouve a rádio Senado? Lembra de um programa de Jazz que tem lá, Jazz & Tal?, coisa fina! A senhora sabia que aquilo é um presente do jornalista Ricardo Noblat, não ao senado, mas ao povo brasileiro? E a senhora sabia que o abnegado jornalista resolveu fazer isso para dar mais qualidade na programação da rádio? O que a senhora acha de um jornalista bancar, com dinheiro do próprio bolso, um programa de rádio para o Senadão? A senhora não consegue enxergar aí o dedo do capeta?
E ao refletir sobre as escusas apresentadas pelo sagaz blogueiro, a senhora não vê a ponta do rabo do capeta? Vamos olhar juntos pela fechadura da porta do inferno, que é a nota que Noblat soltou em seu blog para se justificar. O capeta lhe pergunta: Filho, por que criar um programa justamente para a rádio Senado? E Noblat se justifica, olhando no fundo do olho do diabo: “Completou 10 anos no último dia 19 o programa semanal Jazz & Tal que faço para a Senado FM. Durante 113 meses, entre março de 1999 e agosto de 2008, paguei do meu bolso todos os custos do programa. Foram 493 programas ao custo mensal de R$ 1.200,00. Devo ser o único brasileiro que até hoje doou dinheiro ao Senado - 135.600,00 (113 meses x R$ 1.200,00). Fi-lo porque qui-lo. Na época era medíocre a programação da Rádio senado…”
Agora eu lhe pergunto minha senhora. O que temos eu, a senhora e o senhor Noblat com isso. Se ele não gosta da programação da rádio Senado, que sintonize outra. Ou use o blog dele em O Globo para fazer as famosas enquetes: “Você acha que a programação da Rádio Senado deve ser melhorada?” Agora, achar a programação ruim e pagar do próprio bolso um programa de jazz para melhorá-la? Melhorá-la pra quem? Para quem gosta de jazz? E quem é que gosta de jazz? O senhor Noblat? Pois que ouça jazz em seu carro e em sua casa. Ou será que Noblat é um desses nefelibatas que crêem que o jazz é mais gostoso quando compartilhado? Se for este o caso, por que diabos o ilustrado escriba não se satisfez com o programa de rádio hospedado em seu blog? Ora, ali ele compartilha com os seus. Isso não é o bastante?
Mas satanás é curioso, e coçando o queixo rubro estoca uma nova pergunta: Estou confuso, o senhor promovia o jazz ou a produtora que produzia o programa? Noblat, que conhece bem a língua do capeta, pois teve aulas com o Demo Demóstenes, respondeu desenvolto e sem sotaque: “Procurei uma produtora em Brasília - a Linha Direta. Ela cuida do programa. Gosto das coisas bem feitas e topo pagar por elas. Paguei pelo capricho de ter um programa de jazz. Pude pagar e paguei.” Satã sorriu com os olhos de fogo. Lambeu os beiços com a incandescente língua bifurcada e pespegou: E por que, dez anos depois, resolver cobrar do Senado por um programa que o senhor doou de livre e espontânea vontade e amor à cultura e à arte? Não é bem assim, obtemperou o pernambucano, “… em setembro último, sugeri à direção do Senado que a rádio arcasse com os custos do programa pagando diretamente à produtora. Do contrário suspenderia o programa. Disseram-me que não era possível. Que seria possível me pagar como pessoa física para que então eu pagasse à produtora”.
Veja a senhora, Noblat faz uma chantagem com o Senadão, ou pagam ou eu me retiro do ar. Não parece Faroeste? Minhas perguntas são ingênuas, mas o Demo é impiedoso. Fala o diabo: Ricardo, ouça-me filho, a emissora sucumbiu à sua chantagem, ponto pra você. Agora me conta, como foi firmado esse contrato? Noblat vê os seus olhos dentro das labaredas dos olhos do capeta e responde animadamente: “Firmaram um contrato comigo no valor mensal de R$ 3.360,00. Descontados pela própria rádio os impostos (R$ 560,00 de INSS e mais R$ 560,00 de IR), e abatido o que eu pago à produtora (R$ 1.750,00), restam-me por mês a fortuna de R$ 490,00. Preciso de mais 23 anos a R$ 490,00 por mês para recuperar os R$ 135.600,00 que gastei do meu bolso durante 9 anos e meio. Não viverei tanto tempo. E não imagino fazer o programa por mais 23 anos.”
Mas com o diabo, disse o diabo, que merda de matemática é essa? E Satã sacudiu as asas e se foi. Minha senhora, continuemos nós outros o trabalho que o diabo deixou de lado. Perguntemos ao senhor Noblat: E o senhor também ajuda o Senado em seu blog? O senhor Gilmar Mendes, aquele que é a cara do deputado da Praça é Nossa, interferia na programação do seu programa? O senhor também costuma dizer “deu na Veja” em seu programa, como o faz insistentemente em seu blog? O senhor doaria um programa para a rádio evangélica que toca aqui perto?, é que a programação é ruim à beça. O senhor tem alguma proposta para a CBN no horário em que aparece a senhora Lúcia Hipólito? O senhor já pensou em doar um programa de valsa para o lugar do Roda Viva? E senhor já propôs pôr trilha sonora nos podcasts da urubóloga Miriam Leitão? O senhor está de brincadeira comigo?
Em tempo, o Supremo Ministro, Gilmar Mendes, felicita o blog: “Leio porque sendo a transparência um dos pilares da democracia, nunca será demais ressaltar a importância da mídia responsável na consolidação do Estado de Direito. Assim, diante da excelência com que vem desempenhando o ofício de bem informar os cidadãos brasileiros, congratulo o Blog do Noblat pelos cinco anos de compromisso com a verdade e com a democracia no país”.
Embrulhou-me o estômago.
Lelê Teles, Brasília esse texto no amalgama: http://www.amalgama.blog.br/03/2009/a-noblesse-de-noblat ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ esse texto no rogelio: http://rogeliocasado.blogspot.com/2009/03/noblesse-de-noblat.html

Terça-feira, Agosto 25, 2009

a maconha de Minc e a de FHC

O Ministro Carlos Minc defende a descriminalização da maconha. A CBN, rádio da Globo como se sabe, faz uma edição jocosa e mostra políticos da oposição fazendo chacota do Ministro.
http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/2009/06/11/ENQUANTO-O-JABOR-NAO-VOLTA-MINC-E-A-MACONHA.htm
Mas aí, amigos meu, eis que FHC, o Boca de Sovaco, vai a uma conferência sobre drogas e defende a mesmíssima coisa, a descriminalização da maconha. A mesmíssima CBN, rádio da Globo como sabemos, faz uma edição serena, centrada, defendendo inclusive o ponto de vista de FHC; "qualquer estudo sério... os especialistas sabem..."
http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/ARNALDO-JABOR.htm
Durma-se com uma zoada dessas.
Lelê Teles, Brasília

não é fantástico II

Esporadicamente eu vejo o Fantástico, o show da vida, mas sempre que o faço fico horrorizado. No último domingo assisti para saber se o semanário iria finalmente falar sobre o caso de Januário Alves de Santana, funcionário da USP, negro, espancado por seguranças do hipermercado Carrefour e humilhado por policiais militares sob suspeita de roubar o próprio carro, um EcoSport. O Globo chegou a falar do espancamento, por que o Fantástico não falaria? Ora, porque o senhor Ali-não-somos-racistas-Kamel poderia não gostar.
Mas aí, veja que surpresa, entra uma matéria sobre preconceito. Um gatuno é detido pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos. Tem o corpo recheado de muamba: relógios caros, joias e diamantes, tudo não declarado. No entanto, a reporcagem é sobre a suposta intolerância religiosa sofrida pelo sujeito, um judeu ortodoxo com passaporte americano. A Globo, como já estamos cansados de saber, é muito seletiva e resolveu por esse recorte. O Fantástico entrevistou o homem, mas não sabemos seu nome. No início da matéria ele é descrito assim: “Um judeu ortodoxo de 56 anos se diz traumatizado. ‘Eu fiquei muito mal, pensando no que os alemães fizeram com os judeus, 60 anos atrás. E isso é o que eles fizeram comigo agora no Brasil’”. Durante toda a matéria ele é apresentado como vítima.
O homem reclama que na penitenciária atiraram o seu quipá no chão e, veja você, rasparam a sua barba, o que é um procedimento comum a todo preso. Diz: “Sinto uma grande vergonha. Vou ficar sentado na minha casa sem sair, por um ano, até minha barba crescer”. E por que isso? Porque, segundo um rabino entrevistado pelo Fantástico, “consta na Torá, que é a nossa bíblia, que é proibido você destruir parte de sua barba. De acordo com a Cabala, a parte mística do judaísmo, através da barba, nós recebemos as bençãos divinas”. Ora, mas o homem não estava tentando passar com valiosa muamba pelas barbas da Polícia Federal brasileira? Lembrei-me de Henry Sobel, o reincidente ladrão de gravatas, tratado pela Globo como um doente, um cleptomaníaco. O embaixador dos Esteites, também Sobel, deu um jeito de livrá-lo da cadeia e Sobel deixou o rabinato engordando a sua conta bancária em 10 milhões de lascas. A Globo gosta desses caras.
Ao final da reporcagem do Fantástico não soubemos o valor da carga apreendida, que finalidade teria, quantos dias o engenheiro ficou preso e nem por que foi solto. Sabemos que ele aguarda julgamento, mas a reporcagem já o absolveu. Assim termina a matéria, com o homem confessando: “Quero ir para casa. Espero que eles não façam mais isso com judeus que querem manter sua barba”. Fiquei atônito, olhando para a TV, cofiando a minha barba e pensando: rapaz, esses caras estão tomando uns medicamentos estranhos.
Lelê Teles, Brasília

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

esse é o cara

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

o partido verde vai amadurecer

Marina sairá na revistaveja sempre em fotos bem retocadas
Lina Vieira por exemplo saiu assim no Noblat.uma mulher que usa uma cora no pescoço vc acha que ficou como?
Nisso crê Marina Silva. Nisso não cremos nós. O PV, como sabemos, faz na política o que Mané Garrincha fazia com seus adversários nos gramados: ilude a todos, faz que vai para a esquerda e vai para a direita; depois finge que vai para a direita e se envereda pela esquerda. O PPS é pai e mãe desses dribles; Roberto Freire é o mentor e já teve como seguidores Heloísa Helena, Cristovam Buarque, Gabeira… uma lista ainda por terminar. Marina Silva é a neófita da vez. Vai lendo.
As eleições que se aproximam serão um plebiscito, disso não se pode fugir. Mas se pode protelar. Nas eleições passadas já o fizeram. Um plebiscito, digo, mas não que seja a disputa entre dois nomes e dois homens – mesmo porque temos aí uma mulher –, mas entre duas forças, duas correntes. De um lado, Lula da Silva, Dilma Rousseff e uma multidão de brasileiros que passaram a comer melhor, se vestir melhor, tiveram acesso à universidade e uma diversidade de melhorias e benesses. De outro lado, o senhor Ali Kamel, que é a mente demente dos filhos do Marinho, os próprios filhos marínicos e umas quatro famílias mais – Mesquita, Frias e os demais, falou de um falou de todos. E o Zé Serra, que até pensou em desistir, mas Lula meteu lá Ciro Gomes em seu calcanhar e ele será candidato, porque teme mais a Ciro do que a Lula e Dilma juntos, porque estes são cordiais; Ciro, jamais.
No passado, as forças anti-Lula lançaram os seus factóides: Heloísa Helena e Cristovam. Candidatos da direita, mas travestidos de esquerda. Tanto é que apareciam nos jornais como nunca. Lembremos que Helô teve sua biografia deslindada numa revistona. O mesmo fazem agora com Marina. Não que jornalões e revistonas torcessem para Cristó e Helô, não estavam preocupados em quantos votos eles poderiam ganhar, que seriam bem poucos, mas quantos conseguiriam tirar de Lula.
Eram caricatos. Cristó era monotemático, portanto inviável. Helô, balcão-de-negócios-sujos, era somente uma frasista. Mas encantou-se com os holofotes, chegou mesmo a levar um sobrinho para uma CPI, coisas de celebridade. Ao fim e ao cabo não fez cócegas no score eleitoral e ainda permitiu a eleição folgada de Fernando Collor para o Senado, ou seja, serviu duas vezes à direita. Enquanto fazia com Lula o que Denilma Bulhões fazia com o seu marido governador, para usar uma metáfora alagoana, ou seja, o lategava com uma toalha molhada em praça pública, Collor sorria o seu sorriso sujo para o Senado. Cristovam prometia uma revolução na educação, o que ele queria ter feito em três meses sendo ministro e que não fez nos quatro anos em que governou o Distrito Federal. Passadas as eleições, nenhum jornal quis saber de Helô, e Cristovam voltou ao noticiário porque serve aos jornalões chicoteando Sarney, depois sumirá novamente.
É nessa seara e no mesmo cenário que surge Marina Silva. Com a vantagem, para a direita, que faz o que os dois faziam sendo uma só: é monotemática e tem a língua afiada. Será a anti-Dilma. Já foi enganada pelo PV quando lhe disseram que ela teria 15% de votos logo de saída. O Datafolha mostrou que é um quinto disso, e vai terminar com menos, mas vai fazer um estrago em Dilma, que chegará um pouco trôpega no segundo turno. Depois Marina se desencantará do PV ou ele dará um jeito de se livrar dela, e ela terá que ir para o PSOL ou para o PSTU, ou criar uma nova legenda.
Todos sabemos que quem veste camisetas com dizeres como salvem as baleias, viva a natureza, libertem as focas… são os jovens da classe média, e estes não elegeram nem Gabeira pra prefeito, como elegerão uma presidente? Mas Marina vai sair bem na foto. O ensaio já foi feito com a acusadora-sem-agenda, Lina Vieira, ontem no blog do Noblat, retocada, com luz profissional, parecia uma imagem de Caravaggio. É assim que a direita ilude os vaidosos. Vai nessa, Marina. Ou, usando uma metáfora futebolística: pedala, Robinho!
Lelê Teles, Brasília
esse texto no amálgama: http://www.amalgama.blog.br/08/2009/o-partido-verde-vai-amadurecer -------------------------------------- esse texto no vio mundo: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-partido-verde-vai-amadurecer ------------------------------------------------ ----- esse texto no Luiz Felipe: http://luizfelipemuniz.blogspot.com/2009/08/veja-o-texto-publicado-no-blog-do.html ------------------------------------------------------------------------ ---- esse texto no blog do rogélio: http://rogeliocasado.blogspot.com ----------------------------------------------------------------------------------- ----- esse texto no linguadetrapo: http://linguadetrapo.blogspot.com --------------------------------------------------------------------------------- ---- no jornal da paraíba: http://www2.pv.org.br/noticia.kmf?noticia=8823222&canal=253

Domingo, Junho 28, 2009

jacko arrebenta em show de james brown

Sexta-feira, Junho 19, 2009

sobre cozinheiros e jornalistas

eu com o pandeiro amarelo na mão e eltinho ao meu lado com cabelo comprido. vinho barato, violão banguelo e gente feliz.
Eltinho é meu amigo desde a adolescência. Éramos punx e mal encarados. Eltinho tinha cabelo moicano, tomava cachaça no gargalo, cuspia e escarrava em tudo e em todos. Nos acampamentos em que íamos, Eltinho e eu gostávamos de cozinhar: macarrão com sardinha, feijoada de latinha, cream cracker com feijão, linguicinha frita; gororobas.
Na semana passada encontrei o velho amigo em um show. Tem três filhos, é casado, está com uma cara corada e um aspecto saudável. Tomava scotch. Disse-me que é o chef (executivo) de cozinha do Hotel Nacional, um dos mais tradicionais de Brasília. Eltinho frequentou escolas para aperfeiçoar o seu ofício, que ele define como arte. Mas não foi escola alguma que o levou ao metier, foi o seu interesse, a oportunidade e o “jeito para a coisa”. Ele me disse que tem um monte de filhinho de papai fazendo excelentes cursos mundo afora e que jamais serão grandes cozinheiros.
Eu, que à época do punkismo andava andrajoso, vociferante, irascível, antimoda, antimédia, antimedo, antígona, disse ao amigo que sou escritor e roterista e que depois de uma competente carreira como publicitário me tornei secretário de comunicação. E disse que igualmente não foi a faculdade que me levou à publicidade; no curso de jornalismo, na UnB, eu já acreditava que não deveria existir curso de publicidade em universidade federal, e ainda acredito. Eu e Eltinho entramos para nossas atuais profissões por amor a elas, por senso de oportunidade e por sermos capazes para tais ofícios. Nas nossas profissões, os grandes profissionais não se importam com diplomas.
Ontem o STF decidiu pela não obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Acho correto e louvável. Na maioira dos países do mundo é assim. A FENAJ ficou furiosa. E eu fiquei desconfiado dessa fúria. A lei não proíbe que faculdades ensinem jornalismo e formem jornalistas, a lei não proíbe os jornais de contratarem jornalistas formados em faculdades. O que houve foi a extinção da lei que exigia o diploma para exercer o ofício. Ora, não muda quase nada. Volta-se ao tempo em que as redações tinham jornalistas que escreviam extremamente bem e que não tinham formação em jornalismo. Os juízes, ao seguirem o voto do relator Gilmar Mendes, apenas garantiram o direito de qualquer sujeito poder exercer a profissão, desde que tenha competência para tal. O mesmo direito que têm os cozinheiros, roteiristas, escritores e publicitários.
Quem sabe eu e Eltinho nos encontremos novamente algum dia e encontremos um outro antigo amigo punk exercendo com maestria a profissão de jornalista, mesmo que tenha se formado em música.
Lelê Teles, Brasília esse texto no observatório da imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=543DAC039

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Alan Garcia, o etnocida

dia 05/06 garcia tem o seu dia de pizarro
Quinta-feira passada foi o dia do meio ambiente. Dia em que todos os políticos do mundo estavam mostrando o seu cinismo (ou não) em relação ao tema. Engravatados plantavam mudas diante das câmeras, acordos eram assinados frente aos fotógrafos, silenciavam-se as motosserras, repousavam-se os machados, lacravam-se as manilhas. Aproveitando a ocasião para ganhar prêmios, publicitários anunciavam: preserve, proteja, salve…
Pois neste mesmo dia, veja o que é o mundo e a humanidade, a polícia de Alan García, no Peru, massacrava impiedosamente dezenas de indígenas na província de Bagua.
El Palacio de Gobierno del Perú teve, mais uma vez, o seu dia de Casa de Pizarro. E o Peru voltou a ser uma Nueva Castilla. O massacre de Bagua foi a resposta do governo aprista à contestação dos indígenas, liderados por Alberto Pizango. Os povos da floresta exigem a anulação de leis que permitem aos estrangeiros o avanço sobre a floresta, explorando minérios; sobretudo, gás e petróleo. Protestam contra as multinacionais, a quem acusam de avançar sobre as riquezas naturais do país, deixando pra trás um rastro de agressões ao meio ambiente e desrespeito à soberania nacional. Reivindicação legítima.
O Peru avança com Alan García, os indicadores econômicos e sociais não mentem. Mas o presidente não tem o direito de, em nome do progresso, massacrar o seu povo a tiros. Ao invés de dialogar, manteve-se fiel à sua costumeira soberba, chamou os indígenas de terroristas e cidadãos de segunda classe; exatamente como fez Sarkozy com os negros dos subúrbios de Paris.
Após 54 dias de protestos, fechando carreteras e fazendo piquetes em petroleiras, os indígenas de Bagua foram surpreendidos no dia 5, às cinco da manhã, pela polícia, que partiu covardemente para o confronto. Usando helicópteros, tanques e artilharia pesada contra homens, mulheres e crianças.
Alan García diz defender os interesses de seu país e de seu povo e culpa Chávez de estar por trás de Pizango, insuflando a discórdia para impedir o desenvolvimento da indústria petrolífera peruana. Pode ser, parece mesmo que Evo e Chávez tem a ver com Pizango, mas García está agora com as mãos sujas de sangue e tem uma pilha de cadáveres no armário. Terá, como Fujimori, de ser julgado por seus crimes, e o seu é mais grave, é genocídio.
Defender a pátria é, antes de tudo, defender o seu povo e não, massacrá-lo.
Lelê Teles, Brasília = * * ** **** ***** ***** ***** ***** esse texto no vio mundo: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/lele-teles-alan-garcia-genocida esse texto no amálgama: http://www.amalgama.blog.br/06/2009/alan-garcia-e-o-seu-dia-de-pizarro

Sexta-feira, Junho 05, 2009

KUNG FU PÂNDEGO

O VELHO KUNG MORREU BATENDO PUNHETA
O mundo não é um lugar seguro, disso todos nós sabemos. Mas há certos indivíduos que fazem do próprio cérebro uma ameaça a si mesmos. David Carradine, que aparece fagueiro e mancebo na imagem aí acima, ficou famoso no cinema como o Kung Fu, um mestre em artes marciais parodiado por Jackie Chan (o verdadeiro criador do Le Parkour).
Carradine era um onanista, como somos quase todos nós. Além de quebrar os ossos de seus adversários, o nosso Kung Fu também gostava de espancar o careca ou descabelar o palhaço. Pois veja você, o velho Kung foi encontrado morto ontem, em um quarto de hotel em Bangcoc. Suspeita-se que morreu em um ato autoerótico, como disseram os policiais.
Os heróis, também todos nós sabemos, morrem de forma muito peculiar: Christopher Reeve, o indestrutível super man, caiu do cavalo e fraturou duas vértebras do pescoço, ficando completamente imóvel do pescoço para baixo. Heath Ledger, após coringar no cinema, foi encontrado morto em um apartamento, vitimado por uma overdose de remédios. Brando Lee, o Corvo, teve o mau agouro de ser alvejado por uma arma de verdade dentro do set. Agora esse velho punheteiro morre em um ato nada edificante.
Segundo a polícia tailandesa, David Carradine foi encontrado com uma corda presa em torno de seu pescoço e uma outra em seu órgão sexual. As duas cordas convergiam para uma outra corda que estava pendurada em um armário. Uma forma bisonha de se masturbar. A polícia não se arrisca em afirmar a causa mortis, mas insinua que se trata de um acidente autoerótico. A engenhoca montada pelo artífice punheteiro teria falhado, enforcando o velho kung pelos dois pescoços.
Trata-se, como se pode notar, de um ato singular na história policial de Bangcoc, oxalá seja um caso inédito na literatura policial em todo o mundo. Um caso de duplo enforcamento; nem o velho tarado, assassino e barbudo Saddam Hussein foi duplamente enforcado, embora merecesse!
Carradine, de 72 anos, também estrelou Kill Bill, do histriônico e bizarro Tarantino. Mas na hora da morte parece que tentava o papel de McGyver. A autópsia revelou que o ator sofreu uma brusca perda de oxigênio, não foi homicídio ou assassinato, foi uma morte provocada por uma singular masturbação.
David Carradine talvez seja doador de órgãos, mas temos aqui um órgão que não vai poder ser doado.
Por que me interessei pela morte de Carradine? Porque parece mesmo um deboche. Na verdade é um deboche. Como é um deboche a mídia ficar ininterruptamente falando de uma avião que caiu e matou 58 brasileiros a caminho de Paris, todos com rosto, nome, família, tinha té brasileiro com sangue azul na aeronave; enquanto no norte e nordeste morrem milhares de Severinos afogados pelas enchentes, anonimados pelo noticiário, e hoje há milhares desses Severinos passando fome e desabrigados em consequência das fortes chuvas; mas a mídia, que é seletiva, mira esse acidente aéreo. Na verdade, trata-se da morte de alguns Hoff Müllers, que como sabemos, comove mais que a morte de milhares de Severinos. * *
Mas veja o que é a raça humana, enquanto morriam Severinos aqui e Hoff Müllers acolá, o septuagenário David Carradine fumava um cigarro e se masturbava em um quarto de hotel em Bangcoc.
* *
Como diria o curioso ingênuo: o que será que passava pela cabeça de Carradine?
Lelê Teles, Brasília

Sexta-feira, Maio 29, 2009

Asas à imaginação

os gringos e o fascínio pela coca
Em um muro em Cochabamba há uma pichação: “Erradiquem a Coca-Cola”. Evo Morales já havia dito que a coca não poderia ser legal somente para a Coca-Cola. Nos Estados Unidos, há três anos, um energético foi banido das prateleiras: ele tinha o sugestivo nome de Cocaine e a fonte imitava um pó de giz. Agora, cinco estados alemães proibiram a venda do refrigerante Red Bull Cola após constatarem vestígio de coca na composição química do refresco.

Não há motivos para espanto. A folha de coca não é uma droga, é um suplemento nutritivo. E tem, há séculos, uso medicinal e terapêutico, além de servir para fazer chá, bolachas, xampus etc. O químico italiano Ângelo Mariani fez a infusão alcoólica de folhas de coca, em 1863, criando o vinho Mariani, muito apreciado pelo Papa Leão XIII. O Foro Internacional de La Hoja de Coca, realizado em 2006 na Facultad de Ciencias Económicas de Buenos Aires, solicita que a ONU retire a folha de Coca da categoria de veneno ou estupefaciente. O Foro reuniu empresários, cientistas, técnicos, indígenas, políticos e membros da sociedade civil da Argentina, Peru, Equador e Bolívia.

Foram os europeus que criaram a cocaína. Freud foi o seu maior entusiasta, chegando a receitá-la a seus pacientes. Os estadunidenses consomem metade da cocaína produzida no mundo. Os europeus ficam com boa parcela da produção. O narcotráfico global, que movimenta 600 bilhões de dólares por ano, deposita seu dinheiro nos paraísos fiscais pertencentes a países como Estados Unidos, Inglaterra, Suíça e Alemanha. Quem é mesmo que lucra com a venda de cocaína?

A cocaína é uma droga química. E só é fabricada na Colômbia, Bolívia e Peru porque as autoridades permitem o livre comércio dos agentes químicos necessários à sua produção. Ou seja, além dos paraísos fiscais, a indústria química também lucra muito com a produção de cocaína. Entre 700 e 1.000 toneladas de cocaína são produzidas por ano somente na Colômbia. Esses produtos químicos, como se pode deduzir, não são comprados litro por litro em uma farmácia de esquina – são centenas de toneladas!

Os Estados Unidos, em uma fracassada guerra contra as drogas, despejaram 8 milhões de litros de produtos químicos no solo colombiano a pretexto de erradicar as plantações por fumigação, mas só se conseguiu poluir o ambiente e contaminar os camponeses. Os governantes deveriam fechar o cerco à venda de produtos químicos – sem insumos não tem droga – e deixar a população andina viver em paz com suas plantas milenares, produzindo refrigerantes, energéticos, chás, vinhos, bolachas…
Lelê Teles, Brasília

Terça-feira, Maio 19, 2009

pietá

a madonna e o menino jesus

mudando de endereço

em breve

Terça-feira, Maio 12, 2009

as tragédias e os comédias

portinari, criança morta
Não faz muito tempo escrevi um texto (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=515FDS008) sobre a deformação midiática da realidade e a construção de simulacros a partir da construção de seres reativos e obedientes. O texto falava sobre a triste catástrofe que ocorreu em Santa Catarina, que a mídia colocava culpa no efeito estufa, mas o caso estufava a culpa das autoridades no ordenamento territorial da região. O texto também falava de uma tragédia que nos tornava uns hipócritas solidários e nos redimia de sermos insensíveis ao sofrimento cotidiano dos Sujeitos da Esquina.
Pois bem, chegou a hora de provar que não sofro de esquerdopatia. Hoje, 12 de maio de 2009, abro o globoonline e nada sobre a tragédia que assola o nordeste brasileiro. Na capa fala-se, veja você, de que surgiu o 1º caso de gripe suína no Rio de Janeiro. A folhaonline vai pelo mesmo caminho. 1 caso de gripe e 32 casos suspeitos é o que desperta a mídia no dia de hoje. O diabo é que só no Maranhão 205 mil pessoas foram afetadas pelas enchentes. 78 municípios sofrem com as chuvas no estado. Em Sergipe a calamidade não é menor. No Piauí é igual. Milhares de brasileiros estão desabrigados. Casas estão desabando. As ruas tomadas pala lama contaminada. E os nossos jornais falam numa tal pandemia que afetou "até agora" 5 mil pessoas em todo o mundo, um número infinitamente menor do que a tragédia real que os nossos patrícios estão vivendo no nordeste.
Sem falar que a tal pandemia atingiu "até agora" 30 países do globo terrestre e todos nós sabemos que só a ONU tem 192 países membros. Pandemia? E desses 5 mil casos registrados no mundo, o número de mortes é ainda menor do que o registrado pela gripe comum, dessas que o sujeito pega quando sai na chuva. E diga lá, 5 mil casos em um mundo com mais de 6 bilhões de pessoas é uma pandemia?
Lembro-me da Vaca Louca, um herbívoro tornado canibal pelos ingleses. Diziam que a tragédia assolaria o planeta. Enterraram o vacum contaminado e tudo voltou ao normal. Depois veio a pandemia da Gripe Aviária. Queimaram uns frangos na China e tudo voltou ao normal. Depois a Febre Aftosa, nada. Depois a crise da Febre Amarela Urbana no Brasil, que matou mais quem tomou vacina dupla do que quem levou picada de mosquito.
Não é a vaca, o boi, o frango, o mosquito, o porco... a grande pandemia, o grande animal contaminado é o homo midiaticus. Esse robozinho reativo pronto para se desesperar a qualquer sinal emanado pelo aparato oficioso da desinformação.
Na tragédia de Santa Catarina, a mídia era onipresente. Os principais apresentadores estavam lá ao vivo. Até a Ana Maria Braga sujeitou o seu penteado ao mal tempo no sul do Brasil. Celebridades apareciam fazendo cara de tristes e pedindo doações, galãs viraram super heróis e meteram a mão na lama para entregar donativos. Contas, muitas contas bancárias surgiam a todo o momento, Instituto Renascer, Rede Record, SBT, Globo etc. Foi tão grande a comoção popular que teve prefeitura em Santa Catarina que mandou enterrar e incinerar donativos, por excesso. Agora a mídia noticia, e mais nada.
Algo me diz que a casa de um Von Braun ou de um Hoff Muller desabando comove mais do que a casa de um Severino qualquer lá nos confins do Piauí. Algo me diz que um grande número de brasileiros concorda com o presidente da Philips, Paulo Zotollo, de que ninguém vai ficar chateado se o Piauí desaparecer.
Os porcos do P.I.G. fazem o povo se preocupar com o porco do México. Enquanto isso, nossos irmãos nordestinos dormem sobre colchões encharcados, sem comida, sem água, sem teto, sem ajuda. Mas entre um Severino magro do Piauí e um Hoff Muller de máscaras descendo de um um avião, a mídia fica com a segunda imagem. A imagem de um Severino dentro da lama não tem força.
Forte é a imagem da casa da família Van dekamp desabando. Um moleque sujo do nordeste desabrigado não comove; comove o piá loirinho, de sobrenome holandês, dormindo em um ginásio de esporte, sem poder ir à escola.
O Supremo Juiz do Supremo não se importa com o Sujeito da Esquina. O deputado está se lixando para a opinião pública. E o homo midiaticus que mandou donativos para as vitimas da tsunami no Sri Lanka(!) lava as mãos para os patrícios nordestinos. Há ou não há mais mistérios entre o céu e a terra do que julga a nossa vã filantropia?
Lelê Teles, Brasília

Quarta-feira, Abril 08, 2009

a tara cega pelo DIPROMA

o que se ensina nas faculdades de jornalismo por aí? Quem quer saber!

Em pesquisa superficial sobre o assunto, grande parte da população considerou que o diploma de jornalismo é fundamental para uma boa notícia, desconhecendo que somente uns poucos países, distantes do primeiro mundo, o exigem. Fato este sonegado, convenientemente, durante a pesquisa e não disponibilizado ao entrevistado.

"De fato, hoje, a formação superior em jornalismo não é condição necessária para se exercer a profissão em países como Alemanha, Austrália, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Irlanda, Itália, Japão e Suíça. O diploma é exigido apenas na África do Sul, Arábia Saudita, Colômbia, Congo, Costa do Marfim, Croácia, Equador, Honduras, Indonésia, Síria, Tunísia, Turquia e Ucrânia" [ver aqui].

fonte: Observatório da Imprensa.

Terça-feira, Abril 07, 2009

most popular politician on earth

I LOVE THIS GUY
Contra fatos não há argumentos, dizem. Claro que há, contra os fatos usa-se as interpretações. Vai lendo.

Ato I: Metáfora, como todos sabem, é uma figura de linguagem que se caracteriza pelo uso de uma palavra, ou expressão, fora do seu sentido literal, dando-lhe uma dualidade de sentido. Cristo pregava por metáforas. E a metáfora, como todos sabem, é uma figura que figura na hábil linguagem política de Lula da Silva. Pois bem, alguns setores da mídia, com claro viés ideológico, resolveram induzir os seus leitores a interpretarem uma metáfora de Lula em seu sentido literal. Ao falar, ao lado de Gordon Brown, que a crise tinha sido criada por "gente branca e de olhos azuis", é claro que Mr. da Silva usava uma metáfora. No entanto, os jornalões ventilaram e estimularam a interpretação de que Lula usara uma frase racista. Teve até repórter criativo que falou dos olhos não-azuis de Brown. Noblat postou uma carta de intenção, ou sei lá como se chama aquilo, de um leitor que se dizia loiro de olhos verdes e que iria entrar com uma representação para processar Mr. da Silva. Claro que somente no Blog do Noblat (por seu caráter idiossincrático) uma bobagem dessas teria repercussão. Lembre-se que Cláudio Lembo já usou uma expressão parecida e não foi acusado de racista.

Mas Lula teve uma segunda chance. Uma jornalista estrangeira pergunta sobre a frase e Lula olha no fundo dos olhos da moça e diz algo mais ou menos assim: Estou olhando agora para os seus olhos azuis, você não tem cara de banqueira, tem mais cara de vítima dos banqueiros. E todos gargalharam. Menos o Noblat e a Míriam Leitão.

Ato II: Obama diz que Lula é o cara. Os caras de pau da mídia ficaram perturbados e resolveram fazer os seus leitores interpretarem a frase como um deboche, uma piada de Obama. Noblat disse que Obama tirou um sarro com a cara de Lula; lógico que Noblat estava tirando um sarro dos seus próprios leitores. Agora interpretemos a discurso midiático: a metáfora de Lula foi lida em sentido literal e a frase literal de Obama foi interpretada com sentido metafórico.

Ato III: Reunião do G-20, os mais importantes líderes do mundo se reúnem, discute-se os novos rumos do capitalismo, querem civilizá-lo; escancarar os paraísos fiscais, reduzir os subsídios dos países ricos e dar mais abertura às economias dos países periféricos. Uma imagem é produzida, a Rainha ladeada por 20 mandatários mundiais. O mundo repete a imagem à exaustão, sempre preferindo o frame em que todos sorriem. A revistaveja faz uma capa e joga a foto da Rainha em um box lá no alto. A imagem é pequena e mal se percebe a cara alegre de nosso presidente. No entanto, na reportagem da revistaveja há um detalhe da foto. Mas escolheram justamente a imagem em que só quem não ri é o nosso presidente. No detalhe, a Rainha, Obama e Da Silva. Todos sorriem, mas Lula está com uma cara carrancuda, olhando para cima, como se tivesse deslocado. Por que essa imagem?

Ato IV: Trancafia-se uma representante da elite loira de olhos azuis. O homem do chapéu da revistaveja faz a sua interpretação e diz que não pode existir no país o que se chama de justiça social, porque a justiça é uma só, quando a justiça ganha adjetivos ela deixa de ser justiça. Isso porque, para o homem do chapéu da revistaveja, a Federal prendeu Tranchesi como forma de fazer justiça social; ou seja, prender os ricos ao invés dos pobres. Enquanto isso, na Daspu…
Lelê Teles, Brasília

Quarta-feira, Março 25, 2009

Dr. Fausto contra MENDEStófeles

MENDESTÓFELES
Gilmar Mendes, o Supremo Juiz, anda assanhado e poderoso como o capeta. Manda e desmanda. Ameaça jornalista na frente de outros jornalistas, manda deputado tirar programa de TV do ar, mente descaradamente em sabatina de jornal, manda soltar banqueiro ladrão, manda tirar algemas de ladrões brancos e colocar braceletes de pérolas, ameaça meter agricultores em cana, chama o Presidente da República às falas... o cabra tá venenoso como uma cobra.
E quem poderá nos defender contra esse emissário do diabo? Ironicamente, Deus, que é brasileiro, nos manda o Dr. Fausto. Mas o Dr. Fausto não havia feito um pacto com o demónio e o tinhoso não voltou para cobrá-lo? Assim foi na história escrita por Goethe. Mas há outras penas e outros escribas. E a história costuma se repetir como farsa ou como ironia. Dessa vez foi o Dr. Fausto que voltou para cobrar o diabo. Vai lendo.
Hoje, quarta-feira, sob mandado do Juiz Federal, Dr. Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, o mesmo que mandou prender "o banqueiro bandido" Daniel Dantas, foi deflagrada a Operação Castelo de Areia. Foram cumpridos cerca de 10 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão no Rio de Janeiro e São Paulo. A operação investiga crimes financeiros, lavagem de dinheiro e doações ilegais para partidos políticos; coisa do capeta. Os investigados pertencem à Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) que tem lá um vestal que se proclama candidato a suceder Lula da Silva. Veja você. Os facínoras, supostamente - como dizem os jornalistas quando se trata de bandido branco -, intermediariam transações tenebrosas entre a Construtora Camargo Corrêa e "partidos políticos de grande expressão". A FIESP seria como uma filial dessa lavanderia porca.
A Polícia prendeu quatro diretores e duas secretárias da Camargo Corrêa e mais de R$ 1 milhão foram apreendidos. Suspeita-se que os escroques amealharam cerca de R$ 30 milhões, dinheiro pulverizado em campanhas políticas e paraísos fiscais; na verdade não era financiamento de campanhas era investimento em campanhas políticas; sabe-se que a Camargo tem uma grande fatia do PAC etc. A quadrilha também teria desviado R$ 70 milhões de reais em obras superfaturadas em Recife. E os doleiros se lambuzaram com o dinheiro do povo.
Em nota oficial, a Polícia Federal anunciou que a operação investiga evasão de divisas, operação de instituição financeira sem a competente autorização, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e fraude a licitações, os quais somados podem chegar a 27 anos de prisão.

É muito tempo de cana, Gilmar Mendes vai mandar soltá-los. Ora, esse De Sanctis está querendo "desmoralizar o STF", como disse descaradamente o Supremo Ministro em sabatina na Folha. A mídia deu muita corda para o Gilmar Mendes, que é a cara do deputado pilantra d'A Praça é Nossa, e ele vai se enforcar sozinho.
A Associação de Juízes Federais do Brasil já soltou nota chamando Mendes de "leviano" e "veículo de maledicências". Ao sair do prédio onde foi sabatinado, Mendes foi chamado de nazista e o escambau. Parece que perderam o medo do diabo.

Mendestófeles está numa prova de fogo. Dr. Fausto veio cobrá-lo.

Lelê Teles, Brasília

Segunda-feira, Março 09, 2009

Quero ser excomungado por dom José

lula, atirando o sapato em Dom José
Esse país é mesmo o país da piada pronta. Veja você que Protógenes tentou colocar um vigarista na cadeia e o Juiz Supremo quer prendê-lo, não o vigarista, mas o delegado que o desnudou diante da opinião pública.
Agora surge um homem em vestes cafonas, com cara de moribundo e, diante de um espetacular caso de misericórdia, abre a batina e solta de lá uma excomunhão contra a família criança estuprada. O clérigo puniu a vítima!
O mais indignante é que no dia internacional da mulher, um senhorzinho religioso aparece para mostrar que o mundo dele ainda é machista, e que machistas deveriam ser o estado e a ciência.
O bispo queria que a menina seguisse grávida de outra menina porque ele diz que defende o direito à vida. Mas como a menina de nove anos de idade corria risco de morte se continuasse com a gestação, logo, subentende-se que o bispo defendia a vida do... estuprador.
Dom José fala em nome de um Deus no qual ele acredita e nos força a acreditar. E diz que sua sentença obedece à igreja, que por sua vez obedece a Bíblia Sagrada, que por sua vez protege a vida.
Mas com os diabos. Eu leio a Bíblia, é um livro sobre a morte e não sobre a vida. Tem a história de um baixinho que afunda a testa de um gigante filisteu com uma funda, e Jesus se torna rei por descender deste baixinho assassino. O rei Salomão, filho do Rei Davi, logo que assumeo o trono asassinao o próprio irmão. Antes de asumir o trono, davi o seu pai lhe pede, em seu leito de morte, que Salomão mate Joab. Ao assumir o trono, Salomão comete três assasinatos. A Bíblia também versa sobre um malandro chamado Jacó, que dá porrada em anjo (Gênesis 32:22-32), sacaneia o irmão, engana o pai com a cumplicidade da mãe e engravida as duas filhas do tio Labão e as duas empregadas das mesmas.
É um livro para quem tem estômago. Versa sobre estupros, a própria filha de Jacó foi estuprada pelo príncipe Siquém; tem o pai que cai numa pegadinha de Deus que o manda matar o próprio filho e depois fala que tava de brincadeira. Nesse livro também ouço choro e ranger de dentes. É um livro repleto de parricídio, filhicídio, genocídio, etnocídio, reigicídio, infanticídio...; uma mulher que vira estátua, duas cidades aniquiladas e sua população ardendo pelo fogo; a covardia ocorrida no Egito, soldados morrendo afogados, inocentes primogênitos morrendo envenenados; muralhas caindo e o povo sendo morto ao fio da espada; irmão matando irmão... e o livro termina, veja você, com um deus nu, esquálido, morto e pendurado no madeiro e uma profecia escatológica de que tudo será destruído.
O livro parece que foi escrito por Gilmar Mendes e Dom José. O que me deixa indignado são as bobagens que o religioso profere, diante das câmeras, às escâncaras. Porque a excomunhão contra a jovem e sua família não é nada. Significa somente que elas não poderão mais comer aquele pãozinho na missa e outras bobagens. Por que Deus, que perdoa poucos, há de jogar fogo sobre este bispo e sobre o Supremo Juiz, pra mostrar quem é de fato que julga!
Lelê Teles, Brasília

Segunda-feira, Março 02, 2009

não é fantástico?

Ouvi uma chamada para o Fantástico. O Brasil dos excluídos. Referia-se a uma reportagem especial sobre os rincões mais pobres do Brasil. Não seria uma referência à redução da miséria durante o governo Lula da Silva, claro. Resolvi assistir.
Foi cansativo. Que diabos é aquilo que fazem os apresentadores do programa esfregando a mão sobre uma tela falsa? Aquilo é demasiadamente ridículo. Eles não acertaram uma!
Zeca Camargo batia com o polegar em uma imagem e blup, aparecia outra em um local que ele não havia sinalizado. A moça, Poeta, sorria, usava as duas mãos para “abrir a imagem” e a coisa se desenvolvia a alguns centímetros de onde ela havia tocado; enfim, coisa pra Homer Simpson!
Mas aí veio a tal matéria. Cidadedezinhas com o menor IDH do Brasil, não ficamos sabendo quem governa os estados, quem são os prefeitos dos municípios e nem a que partidos pertencem, ou seja, tem caroço no angu.
Voz de Tadeu Schmidt, que tá com a bola cheia no semanário. Lero vai, lero vem, mostram lugarejos onde a maioria da população é desempregada: ali Chuchu é coisa de granfino, a gasolina é mais cara que na Europa e o quilo de tomate custa oito lascas. Corta pra umas garotinhas que nunca tomaram banho de chuveiro e uma mãe que nunca teve emprego. Ela diz que quando sentem “necessidades” vão para o mato. A conta de água chega à casa do cidadão, mas a água, não. Etc., generalidades, matéria sem foco, sem objetividade. Surge uma senhora com o cartão do Bolsa família, dizendo que sem a ajuda do governo a família morreria de fome. Opa.
A reportagem diz ainda que o governo paga cerca de mil e quinhentos reais para cada filho nascido no seio da miséria. Entra o senhor Osvaldo Pita, secretário de Saúde de Manari, sertão de Pernambuco, e diz que “suspeita” que o crescimento da taxa de natalidade no município é estimulado pela verba do governo. Ele diz, “todas essas pessoas são agricultores (grifo meu). E sendo agricultor, a lei permite a ele um abono do governo federal de auxilio maternidade em torno de R$ 1500. Então, uma das razões de ter muita criança aqui - na minha concepção - é por receber R$ 1500. Por isso que tem muita criança em Manari". Agora sim, a matéria tem um foco. Ela se refere aos trabalhadores rurais malandros que mamam nas tetas do governo, veja você.
E a reportagem segue por esse caminho. Um agricultor diz que a esposa engravida e já no oitavo mês começa a pensar no que vai comprar com o dinheiro: “ela vai programar comprar uma vaca, comprar um aparelho de garrote ou dar uma arrumada na casa, comprar antena parabólica e fogão”, ou seja, futilidades, não é verdade? E apareceu um médico e contou um caso de uma senhora que teve 22 filhos! Tudo isso só pra receber a grana do governo. Veja aonde quer chegar a “reportagem”.
Logo em seguida, ao mostrar esses produtores rurais malandros que se enchem de filhos para ganhar 120 dias de abono (uma salário mínimo por mês), entra uma outra interessante matéria com a seguinte chamada: “Você vai ver agora uma história inacreditável. Um brasileiro, que mora na Inglaterra, anuncia na internet que está vendendo uma fazenda que - é nada mais nada menos - que um assentamento de reforma agrária”.
Entendeu a conexão de uma matéria com a outra? Para você não achar que só em Manari tem produtor rural malandro, entra essa matéria dando conta de que os assentados brasileiros estão passando nos cobres as terras que ganham.
Aí, nobilíssimo, entra uma terceira e definitiva “reportagem” dizendo que os Trabalhadores Rurais Sem Terra invadiram uma fazenda no Pará que pertence a Daniel Dantas! Daniel Dantas é aquele que Protógenes quer colocar na prisão, mas Gilmar Mendes e a Globo não querem deixar. E Mendes agora resolveu atacar o MST.
Agora dá pra entender porque ir a uma cidadezinha esquecida no mapa, fazer uma materiazinha sem sentido e ir alinhavando uma história na outra até chegarmos à conclusão de que quem invadiu as terras de Dantas foram aqueles malandros que enchem a barriga de menino para encherem o bucho com a grana do governo, os que engravidam para comprar parabólicas para assistirem o Fantático; os que invadem terras para vendê-las a preço de banana!
Não é fantástico?
Lelê Teles, Brasília.
esse texto no Amálgama:

Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Origens do terrorismo no Oriente Médio

Quem começou o terrorismo no conflito árabe-israelense?
· Bombas em cafés: utilizadas pelos sionistas pela primeira vez na Palestina em 17/03/1937, em Jaffa.
· Bombas em autocarros: utiizadas primeiro pelos sionistas em 20/08 e 26/09/1937.
· Bombas em mercados: utilizadas primeiro pelos sionistas em 06/07/1938, em Haifa.
· Bombas em hotéis: utilizadas primeiro pelos sionistas em 22/07/1946, em Jerusalém.
· Bombas em embaixadas estrangeiras: utilizadas primeiro pelos sionistas em 01/10/1946, em Roma (contra britânicos).
· Minagem de ambulâncias: utilizadas primeiro pelos sionistas em 31/10/1946, em Petah Tikvah.
· Cartas bomba: utilizadas primeiro pelos sionistas em Junho/1947 contra alvos britânicos no Reino Unido.
Para documentação, consulte-se The Arab Women's Information Committee e The Institute for Palestine Studies, Who Are the Terrorists? Aspects of Zionist and Israeli Terrorism, (Beirut: Institute for Palestine Studies, 1972).
Do site resistir.info

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

NADA COMO UM DIA APÓS O OUTRO

A partir de hoje,
Obama cagará na Casa Branca,
sentado numa privada branca
e se limpará com um papel higiênco branco.
Lelê Teles, Brasília

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Israel e a Bezerra d’Água

soldados israelenses. comovente.
A água é ouro, por ela travam guerras e invadem territórios e o gás, outro tesouro, em Gaza vaza. O bezerro de Israel é o ouro.
Ah!, se muita gente não tentou justificar o genocídio que os europeus neo-israelenses estão cometendo na Faixa de Gaza (pararam para assistir à posse de Obama) com a simples e simplória afirmação de que eles (eles quem?) têm direito a uma pátria... nada mais justo que fosse na terra de seus antepassados.
Como se esses caras precisassem de um pedaço de terra, eles são donos do planeta terra! Donos dos grandes bancos, dominam as telecomunicações, dominam tudo! Mas pobres, eles foram escravos em Babilônia, foram escravos no Egito, foram expulsos de Espanha, seis milhões deles foram mortos pelos nazistas no maior massacre da história da humanidade, bradam.
Com essa conversa criaram uma indústria de indenizações. Morreram seis milhões de judeus.
Mas, meu deus, morreram 2,5 milhões de pretos com o tráfico negreiro e eles hoje só têm direito a uma mísera gleba num quilombo pobre.
Segundo Darcy Ribeiro, metade dos 70 a 90 milhões de índios que habitavam a América Latina morreram em decorência de bactérias e vírus dos invasores cruéis, a outra metade foi massacrada, escravizada e subordinada; um século e meio após a chegada de protugueses e espanhóis havia somente 3,5 milhões de índios. No entanto, não admitem que os nossos silvícolas tenham direito a uma nação independente! Milhões de índios foram assassinados com a chegada dos homens brancos e suas caravelas, inclusive com o judeu Amerigo Vespúcio guiando uma delas. Cadê as glebas, cadê as terras?
E por que podem os neo-israelenses?
Por que o mundo se felicita com a chegada do primeiro homem negro à Casa Caiada e não teve o mesmo entusiasmo com a chegada do primeiro indígena à presidência de uma república na América do Sul?
Por que o mundo chorou e sorriu de felicidade com a derrubada do Muro de Berlim e hoje se silencia diante dos muros separatistas erguidos em Israel e nos Esteites?
É a propaganda, idiota!
Lelê Teles, Brasília

Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

retrô 2008

Sísifo

A MÍDIA SÍSIFO
Particulistas, aqueles que escrevem artigos emitindo a opinião particular dos donos de jornais e os colonistas, colunistas que expressam o pensamento colonizado, seguiram o ano de 2008 com as suas miríades de crises artificiais para destruir a imagem do presidente Lula, desnecessário enumerá-las. Qual massa de pão, quanto mais apanhava, mais Lula crescia nas pesquisas. O Governo Lula termina o ano com 73% de aprovação, contra exíguos 6% dos que analisam o seu governo como ruim ou péssimo.
Além das crises sistêmicas artificiais, teve também uma "crise" no campo sociolinguístico. Em 2007, repórteres enfiaram uma câmera clandestinamente pela janela do palácio, quais paparazzi que buscam um deslize de uma celebridade: um dedo no nariz para tirar caca, um seio de fora antes do banho etc. e pegaram Marco Aurélio analisando uma reportagem de TV e comemorando mais um fracasso do aparato midiático usando um gesto que qualquer brasileiro usaria. Gesto que em 2008 foi verbalizado pelo Presidente da República: Sífu.
Mas a mídia, que fez graça quando o Capitão Marvel das Alagoas disse que tinha aquilo roxo, que achou engraçado quando o presidente Itamar Franco apareceu no carnaval ao lado da periquita desnuda da mulher-bunda Líliam Ramos, que gargalhou quando o rei de Espanha usou da descortesia para dirigir-se ao presidente venezuelano, acionou os seus vestais para reprimir a expressão do mandatário nacional. Resultado, top, top.
A mídia segue levando a pedra que vai colocar no pescoço de Lula da Silva, mas antes de chegar no topo, onde se encontra Lula da Silva, a pedra volta a rolar ladeira abaixo, continuamente. Ou seja, a mídia Sísifo.
DE COSTAS PARA AS COTAS
2008 termina, também, sem que fosse votado o projeto de lei que estabelece a criação de cotas sociais e raciais nas universidades federais. O demo Demóstenes é contra as cotas raciais. A grande mídia, de forma covarde, apátrida e antidemocrática nunca promoveu um amplo debate para discutir as cotas raciais, embora tenha vocalizado a opinião dos que são contra e dos privilegiados que bradam em favor da meritocracia, seja lá que diabos isso signifique.
No entanto, não há nenhuma pesquisa que comprove a opinião de que as cotas raciais fariam cair o rendimento acadêmico; as pesquisas comprovam justamente o contrário.
A PIVETTA E O PIVETE DANTAS
Agora veja em que diabo de país estivemos em 2008. O bandido Daniel Dantas, preso por suas imoralidades, recebeu dois HCs em 48 horas, coisa inédita no Brasil e no mundo; enquanto isso, a artesã Caroline Pivetta foi presa e jogada aos leões por ter, veja que beleza, pintado uma galeria de arte!
A CHINELADA E A SAPATADA
E veja em que mundo estamos, um rei - tem coisa mais cafona e demodé que um rei? – de um país de piratas que veta a entrada de latino americanos, embora tenham saqueado quase toda a riqueza da América do Sul, praticado etnocídio, estuprado mulheres e disseminado um sem número de doenças por este continente, deu uma chinelada verbal em Hugo Chávez. A chinelada em Chávez virou um chavão da grande mídia no mundo inteiro. Chinelada tida como um gesto revolucionário e corajoso.
No entanto, a sapatada do heróico jornalista Muntadar al-Zaidi em direção ao rosto do delinquente Bush virou motivo de chacota, um simples disparate de um homem tresloucado. O presidente George War Bullshit, qual um boxista livrando-se de um jab, corcoviou e esquivou-se da sapatada.
Al-Zaidi não teve a mesma sorte, imobilizado por um golpe de Krav Magá, teve costelas quebradas, levou cacudos, dedadas, beliscões e outros golpes baixos e pode amargar oito anos de cana; mas o seu gesto será eterno.
Na verdade, o grande erro de Al-Zaidi foi ter proferido uma expresão de ódio antes da sapatada, tivesse simplesmente atirado o seu 44, o delinquente Bush estaria com um olho roxo.
Agora o mundo espera pra ver se Barack Obama, o Homem-Imagem, vai agir e promover a paz no Oriente Médio e reprimir Israel e seu Ministro do Ataque, o genocida Ehud Barak. Se fizer isso, ele certamente ganhará um prêmio Nobel da Paz; ótima imagem para o Homem-Imagem. Mas já há sinais de que não haverá cisão entre Barack e Barak.
Portanto, em 2009, comece com o pé direito, mas com o sapato na mão, pronto a atirá-lo.
Lelê Teles, Brasília
Este texto no Observatório da Imprensa:

Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

o papai noel dos miseráveis

pobre santa
Num destes conteineres de lixo de Shopping Center, um mendigo encontrou uma fantasia rota de Papai Noel e prontamente trocou-a pelos andrajos que o mal vestia. E saiu assim, esquálido e fétido o nosso Papai Noel miserável.
A roupa de um vermelho desbotado e sujo. As lãs sintéticas que lhe adornavam o colarinho, a aba da gorro e os punhos da blusa estavam encardidas e esfarrapadas. Um enorme rasgo lhe desnudava a bunda. Nas costas, o saco murcho e furado.
Era 24 de dezembro. Em Brasília, uma tarde quente como as manhãs do inferno. E o nosso Santa Clauss do terceiro mundo, imundo, não tinha peru e nem frango, somente a fantasia em frangalhos e um estômago doendo pra caralho. De um lado para outro na avenida, entre vendedores de bugigangas, cuspidores de fogo e limpadores de pára-brisas perambulava o nosso famélico personagem saxão.
Balbuciava alguma coisa em sua voz emudecida pela fome, como um dublador de si mesmo, como um ventríloco esfomeado; ele era a voz guia e o boneco. Dentro dos carros de luxo, vidros hermeticamente fechados, os insípidos e insensíveis funcionários públicos engravatados respiravam o frescor e a frescura do ar-condicionado.
Esse foi o primeiro Papai Noel negro que vi em minha vida (ainda não vi um palhaço negro e isso não tem graça!).
O nosso miserável Papai Noel ia caminhando entre os carros, com o olhar magro, o semblante triste de fome, os olhos fundos e o andar claudicante. Descalço, no encalço do que comer, sofejava para os vidros escurecidos e cerrados dos automóveis: - Dá uma moedinha de presente, filho de Deus! Dá uma moedinha de presente, filho de Deus!
Lelê Teles, Brasília.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

sexo bluetooth

Tati, a toother

Acabo de vir de um exótico seminário na Universidade de Oxford onde se discutiu, sobretudo, um assunto voltado aos costumes, trata-se de uma nova modalidade sexual em uso na Escandinávia (Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca), é o chamado sexo Bluetooth.

Bluetooth porque é inspirado em uma inovação tecnológica que permite a transmissão de dados de um aparelho para o outro sem a necessidade da introdução de cabos. O dente azul transmite em infravermelho os dados de um corpo físico para outro.
O termo foi lançado por uma banda de Punk Rock Emo, com letras eróticas. A banda, que mistura uma sonoridade gótica com fortíssimos graves e groovies, só toca em Pubs e clubes pequenos e costuma pedir para a platéia dançar agarradinha. “Cada um abraça um companheiro ou uma companheira, deixa a energia fluir entre ambos”, incita o vocalista.
“O Bluetooth é o sexo praticado sem penetração. Há apenas uma fricção de corpos, uma troca de fluidos pela saliva e pelo suor, um enrijecimento de músculos; um transe, mais que uma transa”, isso é o que diz o vocalista Annik, da banda Blue Tooth Sex.
O Sexo Bluetooth, ou Toothing como é mais conhecido, tem mais adeptos na nova geração. A geração asséptica, que incorporou uma paranóia por bactérias e germes e faz do comportamento sexual uma atitude, uma marca de identidade e de valor.
O sanitarista norueguês Rod Graig, acha saudável esse tipo de comportamento. “Acredito que a nova geração é mais responsável sexualmente, sem ser mais pudica ou menos liberal que a geração anterior”. Graig acha que isso é uma resposta clara de que os jovens querem experimentar coisas novas e que a indústria pornográfica, com seus filmes bizarros e misóginos, acabou por criar em certo nojo pelo sexo nessa geração. Ele enfatiza que “os adolescentes continuam aprendendo com os corpos, liberando hormônios, mas aos poucos, como deve ser”.
Nas boates da Noruega e Dinamarca já é moda entre os jovens chupar pirulito ou balas na cor azul, ou usar um piercing nessa cor na língua, como forma de dizer que é toother, ou que tá pista somente para o blue tooth. Os mais radicais usam como marca uma jaqueta azul em um dos dentes, como o Annik, o vocalista precursor do movimento.
Fricção Científica
A BBC entrevistou algumas senhoras que têm filhos adolescentes e perguntou o que elas achavam, o depoimento da senhora McCarty resume bem o que pensam os pais: “é, é mais seguro, né, minha filha é muito nova pra ter relação com pen drive, digamos assim (risos), blue tooth eu aprovo, o pai dela também"! A Igreja não quis se pronunciar oficialmente, mas sabe-se que o vaticano aprova. “Pode ser um problema”, falou Bono Vox em entrevista para o jornal Dinamarquês Bonm, “os jovens podem estar colocando em jogo a sua própria liberdade, imagine você que agora os professores podem ver no ingênuo abraço um sinal de pornografia”, declarou o roqueiro irlandês.
A academia já se debruça a estudar o fenômeno que tende a crescer no mundo inteiro. Já há uma comunidade virtual, formada por psicólogos, antropólogos, sanitaristas e educadores escandinavos voltada para essa temática. O psicólogo Sueco Jacob Broom, diz que o mundo já caminhava para isso com o surgimento da AIDS, mas que a geração anterior não estava preparada para mudar de hábitos. O psicoterapeuta e antropólogo Mac Mcain, da Noruega, disse que no Brasil está o germe desse “novo” movimento. O especialista diz que no Brasil há, desde os anos 50, uma dança chamada forró, ou for all, em que homens e mulheres se esfregam a noite toda, suando, dançando e sorrindo. E que isso é marcante em todos os ritmos brasileiros que privilegiam “o contato físico e a fricção de corpos”.
Polêmica
A doutora Suzana Pajera, da Universidad de Havana, que estuda o fenômeno no continente, diz que na verdade tudo começou nas Américas e que a salsa, a cumbia, o reggaeton, o forró, o samba e tudo o mais já prenunciava o chegamento do blue tooth e quer que esse termo seja tombado como patrimônio das Américas.
Há argumentos contra e a favor e a polêmica só tende a crescer. O escritor Lelê Teles, que estuda o movimento no Brasil concorda com a doutora: “o tocador de zabumba, triângulo e o sanfoneiro são voyeurs voluntários numa orgia coletiva de salão que se chama forró. Nos salões onde se dançam forró há beijos calorosos, cheiros e mordidas, roçar de mãos, bater de cochas e de pernas, trocas de suores e salivas e orgasmos. É um bacanal, onde todo mundo se invade e se respeita e a penetração é completamente desnecessária. Ou seja, o nosso forró, assim como o samba, o axé, o funk carioca e o pagode já são Blue Tooth avant la lettre”, ressaltou o escritor por telefone.
Há quem preveja que o Blue Tooth aumentará a idade das meninas ainda virgens. Outros, que os relacionamentos fixos se darão cada vez mais tarde. Mas há setores que acham que a propaganda quer tornar qualquer gesto humano em um gesto imoral, é o que defendem alguns setores reacionários nos Estados Unidos e em Israel.
Uma revista de extrema direita dos Estados Unidos colocou um anúncio na capa desta semana, onde se via uma jovem como uma prostituta viciada, magra, suja e deitada numa sarjeta, com várias entradas USB e o texto: "comecei fazendo blue tooth, depois passei pro sexo oral, depois anal e agora estou em dupla penetração e coprofagia; além das drogas!"
Como vocês vêem isso ainda vai dar muito pano pra manga.
Larry Rother, The New York Times.
deu na folha:

homenagem a Lelê Teles

Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

lula e o pré-sal chamado povo

Pelas barbas de Bin Laden, eu vi o homem.

Desde a minha adolescência sou apaixonado pela energia cinética deste retirante nordestino, alçado no novo século ao píncaro dos palácios.

Lembro bem de suas barbas hirsutas, de seu jeito desajeitado, sua cara suja e oleosa; seu semblante verdadeiro e puro, seu ar de anjo natural, de um ser fabricado com os tênues fios que afinam os instrumentos da orquestra que toca a sinfonia do universo.

Sei dele desde menino, quando fundei um grêmio estudantil na escola. Fiz, em serigrafia, milhares de bandeiras vermelhas com uma estrela branca no meio, em 1989, e distribui pelos comitês de Brasília, louco para elegê-lo.

O vi sofrer derrotas. O via como um vencedor que acabou de sofrer uma derrota e saiu ganhando, sempre. O via como um skatista, aprendendo com a queda: a cada tombo a certeza de que na próxima pegou a manha e não vai cair de novo; até acertar na veia.

Via o povo dentro das fábricas, homens em cima de caminhões de som, gritos, palavras de ordem, rebeliões. E os poderosos engravatados, perfumados pela chorume da insensibilidade social, obrigados a negociar com eles, aceitar algumas de suas exigências, dialogar.

Via isso na TV como se estivesse nos grandes teatros clássicos, vendo desfilar sobre mim a história da minha civilização e a construção do meu conceito de civilidade.

Na universidade, um dia vi o caminhão de som e os funcionários em protesto na reitoria. Era meu primeiro semestre. Os funcionários, os limpa-chão, os abre-portas, confabulavam, com os seus microfones em punho, usando palavras como exploração, patrão, data-base, greve, direitos, constituição, cidadania, corrupção, direita e esquerda, classe trabalhadora etc. Um léxico tão rico de significados, uma força tão pujante no espírito daqueles homens simples meu Deus.

E eu, na reitoria da universidade, vendo os funcionários de nível fundamental a parlamentar e pensando em Lula da Silva, o monoglota de Guaribas. O homem que colocou a palavra fome nas discussões internacionais.

Sei dele também de sonhos vivos. Banhava-se numa banheira de âmbar, embora a mídia o descrevesse sempre imerso em fétida lama. Banhava-se, sobretudo, num pré-sal que contém uma substância consistente e nutritiva chamada povo, que alergia a mídia.

Tinha um lapso de paixão pelos seus amigos intelectuais, gostava da gente técnica e cheia de conhecimento, mas era mesmo amante da sabedoria. E falava sempre de forma simples, como convém aos sábios e aos santos, e fazia sempre questão de ser compreendido.

Diferentemente dos grandes jornais do meu país. Manchetes de hoje, 10 de dezembro: 1- O Globo: Crise freia país no auge do seu crescimento econômico. 2- Folha: Antes da crise, economia cresce 6,8%. 3- Estadão: PIB surpreende e cresce 6,8%. 4- JB: País cresce, apesar da crise. Análise: 1- como crise freia se o país cresceu? 2- como antes da crise se os próprios jornais dizem que a crise começou no ano passado? 3- surpreende quem se o presidente disse várias vezes que o país não sentiria a crise como o resto do mundo? 4- mas se o país cresce onde está a crise, meu Deus!

Os líderes do mundo vêem suas economias minguarem e Lula triunfa, apesar do cenário internacional. Mas antes diziam que Lula só triunfava porque era bom o cenário internacional. Vai entender? O povo entende, tanto que em meio à crise internacional Lula da Silva, o monoglota de Guaribas, obteve 70% da aprovação popular, apesar da mídia!

Depois que FHC quebrou o país três vezes, Lula da Silva o converteu na oitava maior economia do mundo. A mídia o massacrou com crises artificiais e factóides, com o tempo a febre amarela não veio, e os laudos técnicos confirmaram que os dois acidentes aéreos nada tiveram a ver com o presidente. Era uma pegadinha de mau gosto da mídia.

Ontem eu via o jornal na TV, o mundo desabava, empresas com séculos de existência fechavam as portas nos Esteites; na Europa, demissões em massa. Queda de exportações e o fantasma do desemprego na China. Enquanto isso, o moça do jornal falava que no Brasil houve aumento de emprego, a inflação caiu, o PIB subiu acima de 6% (como não acontecia há décadas), as vendas cresceram etc. E ela falava tudo isso com uma inexplicável fleuma. Ela dava essa notícia para todos os brasileiros de forma triste, como se ela torcesse contra e fosse derrotada e agora tivesse que pagar o mico de dar essa notícia.

É claro que a matéria terminou com a entrevista de um "especialista" tucano que falou que o cenário para o futuro não é tão bonito; e a moça sorriu.

Lelê Teles, Brasília

esse texto no blog do Azenha:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/lele-teles-em-defesa-de-lula/

no blog do ex-bancário:

http://exbancario.blogspot.com/2008/12/em-defesa-de-lula.html

no blog do zeducando:

http://joserosafilho.wordpress.com/2008/12/13/em-defesa-de-lula-ou-provocando-mais-uma-vez/

no blog do briguilino:

http://blogdobriguilino.blogspot.com/2008/12/pelas-barbas-de-bin-laden.html

no central blogs:

http://www.centralblogs.com.br/post.php?href=Lula+e+a+crise&KEYWORD=4725&POST=238154

derkeiler:

http://newsgroups.derkeiler.com/Archive/Soc/soc.culture.brazil/2008-12/msg00113.html

Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

a tragédia e os comédias

as duas faces de Dionísio
A terra do vinho viu as vidas mergulharem em valas de lama e barro. Tudo ali, na terra mole de Santa Catarina, tem as fortes nuances do trágico. Estou pensando em Nietzsche nesse momento.
A beleza plástica das encostas, a beleza da vegetação e da gente, evoca a tudo que é apolíneo. Terra do Guga e de várias modelos internacionais e atrizes globais, terra da magia e da arte que encanta. Apolíneo.
E de repente, num átimo, os trovões anunciam a triunfo do Deus Dionísio. A destruição total para que tudo se renove a volte a ser apolíneo.
Ergamos as taças de vinho, façamos uma libação ao grande Dionísio, que dancem as bacantes, que saltem os Sátiros, que o coro anuncie o ditirambo. A vida é cíclica!
“Ora, direis, ouvir estrelas...”
Vamos à encenação midiática. Vamos a um simples recorte. Começarei por um exemplo. Certo dia, ainda nos tempos de Universidade, chega um jovem à sala de aula, interrompe-a e pede para que os alunos doem casacos para os que sofrem com o frio no Vale do Jequitinhonha. Eu levantei o braço e perguntei: Jovem, filho do homem, onde fica o vale do Jequitinhonha? Ele desdenhou da minha ignorância, mas respondeu-me prontamente. E eu disse, mas antes de chegar aqui à UnB você não vê que há pessoas morando debaixo de lonas negras? Não vê a tragédia aqui, dos mendigos debaixo de marquises, dos pedintes dos sinais? Sabe quanto de frio passam os que vivem em nossas periferias? Por que ir tão longe, por que escolher esta tragédia tão distante; é por desencargo de consciência?
Ora, fui buscar a origem disso, descobri que Dona Ruth Cardoso havia escolhido o Vale para começar o seu Universidade Solidária, o vale tava na moda, tava na mídia!
Era isso, o rapaz estava com os seus sentimentos direcionados pela mídia, porém insensível às outras tragédias.
Os dramaturgos gregos tinham na tragédia o sentido moral e didático. Toda tragédia tem essa finalidade. Veja a Paixão de Cristo que, insisto, nasce da tragédia grega e tem todos os elementos desta e a sintaxe helênica. Do que nos fala esta nossa tragédia?
Essa catarse, como queria Aristóteles, essa purificação interior é o meu objeto de estudo agora.
Ela fala muito sobre nós, sobre o nosso ethos, sobre o nosso ser social. É nesse tipo de tragédia, midiatizada, que nos vemos humanos, demasiadamente humanos: mortais, solidários, irmãos, cheios de amor e compaixão. Sem isso somos o que somos: egoístas, cínicos e insensíveis.
A tragédia nos redime!
De Brasília parte um comboio com toneladas de alimentos, roupas e água. O comboio ruma à Santa Catarina, onde algumas pessoas invadiram encostas para construírem suas casas e desmataram para plantar, anunciando uma tragédia.
No caminho, o comboio passa por várias periferias, passa por pedintes, passa por miseráveis e por gente que sofre com a seca; enfim, desfila por entre a tragédia humana de todos os dias e que por isso mesmo foi convertida em banalidade.
Numa cidadezinha agredida pela seca, dois meninos seminus caminham com latas d’água na cabeça. Vinham da beira de um barranco de onde extraíram, de um poço raso onde o gado magro acabou de beber e de babar, um pouco de lama limo para cozinhar em casa.
Os meninos vêem os caminhões passarem e perguntam ao pai que vai se achegando:
- Ué, Pai, onde será que vai tanta coisa?
Ao que o pai responde:
-Acho que é a cumida que o povo da cidade grande tá mandando pro povo que vive debaixo d’água; eu vi na TV.
E o menino ingenuamente retruca:
- E por que eles num deixa um pouco dessa comida aqui pra quem vive em cima da seca?
E do céu, tronitruante, irrompe a voz sarcástica e sacra do velho e bom Machado de Assis; imperativa:
“...Há entre o céu e a terra, Horácio, muitas coisas mais do que sonha a vossa vã filantropia”!
Lelê Teles, Brasília.
esse texto no observatório da imprensa:
na revista nós fora dos eixos:
no zine O Subversivo:
no amálgama:

Sexta-feira, Novembro 14, 2008

morre pierre weill

A ave holística: Ave, Pierre, Evoé.
Voa, vovô, voa Vai, Pierre, Weill Singra no ar com tuas asas alvas adeja no mar como uma pomba náufraga arrebenta sereno na beira do cais.
Pra sempre a lembrança: A maturidade encanecida nos cabelos comprova A vivacidade e a candura de um belo rapaz Na maternidade estelar renasce como uma supernova Vá Pierre, em paz!
Fundador da Universidade Internacional da Paz (Unipaz), o psicólogo e educador francês Pierre Weil, 84 anos, morreu na noite de 10 de Outubro em Brasília. Lelê Teles, Brasília

cidadãos do mundo

Ainda na legenda: Pierre Weill, Lelê Teles, Gilmar, Davi, Amarildo, The Who, Geovane, Tarsila, Marck Sacco, Pajman, Sergie, Dr. Fahad, 3 Estreleinhas, Jonisvaldo, Murilo, Andréia, Vanessa, Moranguinho, Gustavo...
UNIVERSIDADE HOLÍSTICA INTERNACIONAL - CIDADE DA PAZ - 1994
Anarquistas, Baha'is, Brahma Kumaris, Rosa Cruzes... Ainda bem jovens, esse era o nosso sonho de mudar o mundo. Pela paz!